Sábado, 16 de maio de 2026

Anvisa toma medidas contra intoxicação por metanol e busca antídoto internacional

Anvisa toma medidas contra intoxicação por metanol e busca antídoto internacional
Foto: Biodiesel Brasil

A crescente incidência de intoxicação por metanol resultante de bebidas adulteradas levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a implementar ações emergenciais em colaboração com o Ministério da Saúde e outros órgãos federais. Como parte dessas iniciativas, a Anvisa iniciou a busca internacional pelo Fomepizol, um medicamento reconhecido como o antídoto mais eficaz para esses casos.

Fomepizol: prioridade internacional

Como o antídoto não está registrado no Brasil, a Anvisa formalmente contatou autoridades regulatórias de países como Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Japão, Austrália, Argentina, México e Suíça para verificar a disponibilidade do produto.

A Agência também publicou o Edital de Chamamento Internacional nº 17/2025, que será divulgado no Diário Oficial da União, visando identificar fabricantes e distribuidores que possam fornecer imediatamente o medicamento ao Ministério da Saúde. Essa medida atende a um ofício de urgência encaminhado pela pasta.

Atualmente no Brasil

Conforme informações do Ministério da Saúde, já foram confirmados 11 casos de intoxicação por metanol, com outros 48 ainda sob investigação. O metanol, um álcool industrial altamente tóxico, é proibido em bebidas para consumo humano, mas é utilizado ilegalmente devido ao seu baixo custo, aumentando a produção. Quando ingerido, transforma-se em compostos nocivos que podem provocar diversos problemas de saúde, incluindo náuseas, dor abdominal, vômito, distúrbios visuais, cegueira irreversível, danos neurológicos e, em altas doses, até a morte.

Autoridades de saúde alertam que qualquer pessoa que apresente sintomas como embriaguez prolongada, desconforto gástrico ou distúrbios visuais entre 12 e 24 horas após o consumo de bebidas alcoólicas deve buscar atendimento médico imediato.

Alternativas emergenciais

Enquanto o Fomepizol não é disponibilizado, a Anvisa está identificando farmácias de manipulação e laboratórios farmacêuticos habilitados para produzir etanol grau farmacêutico, que é uma alternativa já utilizada em hospital. Um levantamento indicou que existem 604 farmácias capacitadas para preparar a substância de forma estéril, aguardando aprovação do Ministério da Saúde para essa estratégia.

Fiscalização e suporte técnico

Desde a semana passada, a Anvisa participaa da Sala de Situação sobre metanol implantada pelo Governo Federal e também está oferecendo suporte às Vigilâncias Sanitárias locais em investigações em curso. Na última quinta-feira (2), agentes da Anvisa participaram de ações de campo em colaboração com a Vigilância Sanitária do Distrito Federal. Além disso, a Agência está articulando com a Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária (RNLVISA) para assegurar a análise de amostras suspeitas de bebidas adulteradas. Já foram designados três laboratórios para este processo: Lacen/DF, Laboratório Municipal de São Paulo e INCQS/Fiocruz. Há ainda discussões com o Ministério da Justiça e o Ministério da Agricultura para ampliar a capacidade de testagem.

Rede de apoio e orientação

O país conta com 32 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) que fornecem suporte clínico e diagnóstico a profissionais de saúde. Desses, 13 estão vinculados ao Disque-Intoxicação (0800-722-6001), que direciona ligações ao centro mais próximo para orientações emergenciais até o transporte do paciente ao hospital. A lista completa dos centros pode ser consultada em abracit.org.br.

Papel do consumidor e dos estabelecimentos

A Anvisa enfatiza que algumas atribuições pertencem a outros órgãos. O Ministério da Agricultura é responsável pela regulamentação e fiscalização da produção de bebidas, enquanto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) controla a importação e distribuição de metanol.

Devido à falta de odor, cor ou sabor característicos do metanol, sua identificação deve ser realizada em laboratório. Portanto, a recomendação é que estabelecimentos comerciais denunciem suspeitas e sigam as orientações das Vigilâncias Sanitárias locais. A Anvisa continuará atualizando a população e as autoridades sobre as medidas adotadas para mitigar o risco à saúde pública.

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