Terça, 28 de julho de 2026

Iniciativas culturais incentivam leitura e aproximam jovens dos livros no Brasil

As iniciativas da biblioteca comunitária Atelier das Palavras, no morro da Mangueira, demonstram como o incentivo à leitura é vital para a formação intelectual dos jovens brasileiros.

Iniciativas culturais incentivam leitura e aproximam jovens dos livros no Brasil
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

“As pessoas falam que criança e adolescente não leem, mas eu discordo. É só ter novidade que eles correm para pegar livros emprestados.” Essa é a opinião de Kely Louzada, idealizadora da biblioteca comunitária Atelier das Palavras no morro da Mangueira, no Rio de Janeiro.

“Acredito que cresci bastante intelectualmente por conta da leitura”, confirma Jorge Henrique de Souza, que desde criança frequentava o Atelier das Palavras e hoje é estudante universitário e trabalha na biblioteca.

“Comecei a ajudar aqui desde criança, onde passava muito tempo do meu dia. Hoje, posso retribuir tudo que aprendi na infância, mostrando com carinho para as crianças que estão sempre aqui que a leitura faz diferença, também que aqui é um espaço onde a gente pode acolher com livros, mostrando para uma nova geração muito tecnológica que os livros existem para somar na vida deles.”

O Atelier das Palavras foi uma das 300 bibliotecas comunitárias vencedoras do prêmio Pontos de Cultura em 2024, criado pelo Ministério da Cultura (MinC). Contemplada com R$ 30 mil, a biblioteca fundada por Kely Louzada atualizou seu acervo e manteve o interesse dos pequenos e jovens leitores.

A biblioteca, que fica na entrada do morro da Mangueira, também se moderniza com doações de livros de interesse do seu público e participa de editais públicos para manter as estantes atualizadas. “A gente trabalha muito com doação, mas temos também uma parceira com as secretarias de Cultura do estado e do município, que nos ajudam a estar sempre renovando a nossa estante”, diz Kely, se referindo aos acervos patrocinados no ano passado pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) do governo federal.

Desde 2024, as bibliotecas comunitárias passaram a receber livros literários para atualizar e ampliar seus acervos, conforme assinala Fabiano Dos Santos Piúba, Secretário de Formação Cultural, Livro e Leitura do Ministério da Cultura.

Naquele ano, o Decreto nº 12.021 expandiu o PNLD para incluir bibliotecas públicas e comunitárias. Essas bibliotecas, incluindo aquelas cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), recebem acervos literários de forma sistemática, regular e gratuita.

O Brasil conta com 6.021 bibliotecas públicas (municipais e estaduais) e comunitárias aptas a receber os acervos do PNLD. Essas unidades estão registradas no Cadastro Nacional de Bibliotecas.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, revela que 85% das pessoas entrevistadas gostariam de ler mais livros, evidenciando um enorme potencial para o fortalecimento do hábito de leitura. Mesmo entre pessoas que não consomem livros, 84% reconhecem a leitura como “importante” ou “muito importante” para a carreira, lazer e aprendizado, segundo o Panorama do Consumo de Livros da Câmara Brasileira do Livro.

“Esses números comprovam que o interesse existe, mas ainda enfrentamos barreiras como acesso e desigualdade”, pondera Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Para ela, as bibliotecas e livrarias desempenham papel estratégico, “criando espaços de encontro com o livro e formando leitores em diversas regiões do país”. Fortalecer políticas públicas é essencial para incentivar a leitura.

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