Terça, 02 de junho de 2026

Impacto de acidentes com motociclistas no SUS: cirurgias adiadas

Impacto de acidentes com motociclistas no SUS: cirurgias adiadas
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

As cirurgias eletivas de alta complexidade no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) enfrentam adiamentos devido ao aumento de atendimentos às vítimas de colisões envolvendo motocicletas. Este cenário tem afetado significativamente o sistema de saúde pública, como evidenciado na terceira reportagem da série Rota Perigosa. A série traz à tona as consequências para a saúde pública decorrentes das lesões de motociclistas.

No ano de 2024, 1.450 cirurgias nesta categoria deixaram de ser realizadas devido a emergências relacionadas a acidentes de moto. De cada cinco pacientes transferidos para o Into, um apresentava lesões severas resultantes de acidentes.

De acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde, entre 2010 e 2023, 1,4 milhão de motociclistas foram hospitalizados após acidentes de trânsito, o que representa 57,2% de todas as internações por lesões de trânsito no Brasil.

A situação é alarmante: apenas em 2024, as internações de motociclistas geraram um gasto superior a R$ 2 bilhões, representando 55,2% do total investido em atendimento a vítimas de acidentes de trânsito. Um dado preocupante é que, segundo uma pesquisa preliminar do Viva Inquérito 2024, 20,8% dos acidentados atendidos eram trabalhadores de aplicativos, intensificando a crise no atendimento de saúde.

“A gravidade desses casos acaba impactando diretamente a logística do instituto, interferindo na programação de cirurgias eletivas cuja demanda já é alta devido ao envelhecimento da população”, alerta a diretora-geral do Into, Germana Lyra Bahr.

As condições de saúde dos pacientes que dependem do Into muitas vezes exigem tratamentos complexos e de longo prazo, além de significativas mudanças em suas vidas devido às limitações físicas impostas pelas lesões.

O estigma e os impactos sociais dessas lesões são preocupantes, levando à perda de qualidade de vida e a fatores sociais que agravam a situação desse grupo. A crescente demanda por tratamentos ortopédicos e de emergências a partir dos acidentes de moto é uma chamada para a ação governamental e para uma melhor conscientização sobre os riscos associados aos transportes de duas rodas.

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