Terça, 21 de abril de 2026

Três gerações resgatadas de condições análogas à escravidão em Minas Gerais

Três gerações resgatadas de condições análogas à escravidão em Minas Gerais
Foto: MPT/Divulgação

Uma equipa de auditores fiscais do trabalho resgatou nesta terça-feira (29) uma família que vivia em condição análoga à escravidão em uma propriedade rural de Januária, no norte de Minas Gerais.

Segundo o relatório de fiscalização, o trabalhador rural, de 37 anos, sua esposa, de 34 anos, e seus dois filhos, de 6 e 9 anos, estavam alojados em um barraco de apenas 20 metros quadrados, sem acesso a água potável, banheiro ou estrutura mínima de higiene. A família tomava banho a céu aberto, em um pedaço de plástico, sem qualquer privacidade.

Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o homem trabalhava na propriedade desde 2019, com a promessa de que obteria registro em carteira e que a casa da família seria reformada. No entanto, essas promessas nunca se concretizaram.

Durante a fiscalização, os auditores verificaram que o trabalhador caminhava 7 quilômetros diariamente para conseguir água.

O pai da família recebia apenas R$ 80 por dia, sem registro em carteira e sem acesso a direitos trabalhistas. Ele atuava no plantio de mudas na fazenda e manuseava agrotóxicos sem quaisquer equipamentos de proteção individual (EPI), em desacordo com a legislação. As crianças estavam expostas às mesmas condições insalubres.

Após o resgate, um parente acolheu a família, enquanto a Secretaria de Assistência Social e o Conselho Tutelar de Januária acompanham o caso. O fazendeiro se comprometeu a pagar os direitos trabalhistas em dez dias.

“Trabalho escravo é crime, e o relatório será enviado à Polícia Federal, que abrirá um inquérito para investigar as causas e acionar a Justiça para possíveis ações criminais contra os responsáveis”, afirmou Marcos Martins da Silva, chefe da fiscalização do MTE em Montes Claros.

Minas Gerais, por segundo ano consecutivo, lidera as ocorrências de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil.

Com Agência Brasil.

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