Sexta, 24 de julho de 2026

Servidores de Itabira protestam contra cortes no cartão-alimentação

Recentemente, servidores da Prefeitura de Itabira realizaram um protesto em resposta à proposta de cortes no cartão-alimentação devido a uma crise financeira que afeta a administração local. As tensões na Câmara Municipal refletem o descontentamento com as medidas de austeridade impostas.

Servidores de Itabira protestam contra cortes no cartão-alimentação
Arquivo JAN

A pressão sobre o governo do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) aumentou devido à atual crise financeira em Itabira. Nessa segunda-feira (28), servidores públicos realizaram uma manifestação que lotou as galerias da Câmara Municipal, em protesto contra as medidas de austeridade que incluem a proposta de corte do cartão-alimentação para funcionários com salários acima de R$4.517,22. O valor do benefício, que atualmente é de R$470,01, está ameaçado de extinção.

A manifestação foi marcada por narizes de palhaço e palavras de ordem, como “eu não abro mão, a greve continua se cortar nosso cartão”. Caso a proposta de lei seja aprovada, categorias como a dos professores, com salários de R$4.887,00, também perderiam o direito ao cartão. Além disso, há a previsão de um aumento da contribuição para o plano de saúde, que passaria de 3% para 4%, e a mudança no calendário de pagamento dos salários.

Durante a votação, houve um desentendimento entre o vereador Elias Lima (Solidariedade) e um servidor, levando o presidente da Câmara, vereador Carlos Henrique Silva “Carlin Sacolão” Filho (Solidariedade), a retirar a proposta de pauta. Segundo ele, não há previsão de nova votação, e haverá uma reunião com o Sindicato dos Trabalhadores Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) para negociações.

Medidas de Austeridade

Desde o início do ano, o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) tem implementado medidas de austeridade devido a uma queda significativa nas receitas municipais, incluindo 40% na Compensação Financeira por Exploração Mineral (Cfem) e 23% no repasse do ICMS. A queda orçamentária foi de R$186 milhões em relação ao ano anterior.

Como parte das medidas de contenção de despesas, o governo adotou o lema “cortar na própria carne”, o que inclui uma redução de 15% nos salários dos cargos eletivos e comissionados, além de diminuição no número desses cargos. Contudo, a criação de um cartão-alimentação para vereadores gerou descontentamento na população.

Bate-boca na Câmara

A discussão em torno do projeto de lei que sugere cortes salariais acabou em confusão. O vereador Luiz Carlos de Souza (MDB) propôs uma emenda que elevaria o corte para até 25,3% nos vencimentos do prefeito e dos secretários, excluindo os comissionados. Sobretudo, o vereador Bernardo Rosa (PSB) chamou atenção para as contradições de quem se opõe a cortes, mas usufrui de benefícios.

A tensão aumentou com as acusações de Luiz Carlos ao classificar Rosa como “traíra” e “covarde”, levando Rosa a solicitar uma investigação do Conselho de Ética da Câmara por suas declarações.

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