A busca de Sueli e Maiza, da etnia Tikmũ’ũn (Maxakali), por seu pai Luís, Guarani-Kaiowá, é o foco do documentário Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá. Os três foram separados durante a ditadura militar, quando muitos indígenas foram deslocados para trabalhar em outras regiões do Brasil.
O filme retrata a luta dos povos indígenas, que enfrentaram deslocamentos de aldeias e a precarização de seus territórios. Sua estreia nos cinemas acontece nesta quinta-feira (10), apresentando as histórias conectivas entre os Tikmũ’ũn, no nordeste de Minas Gerais, e os Guarani-Kaiowá, no sul de Mato Grosso do Sul.
Luís, levado para terras Maxakali, foi separado de sua família logo após o nascimento de sua filha mais nova. Sueli, que hoje é uma importante liderança Maxakali, e sua irmã, cresceram sem notícias do pai. A comunicação entre eles se tornou possível com o advento da internet e o envolvimento de Sueli em encontros indígenas, que resultou na primeira conversa telefônica após mais de 40 anos de separação.
O documentário, co-dirigido pelo antropólogo Roberto Romero, descreve não apenas o reencontro, mas também a vida dos Tikmũ’ũn e dos Kaiowá, incluindo rituais e preparativos emocionais para essa viagem de reencontro. A pandemia da COVID-19 atrasou os planos, mas o projeto foi retomado assim que a situação sanitária permitiu.
Romero apontou ainda as dificuldades enfrentadas pelo povo Maxakali, como a elevada mortalidade infantil e o impacto cultural da perda de seus anciãos. O projeto Hãmhi | Terra Viva, de reflorestamento e recuperação de territórios, é uma esperança na luta pela preservação da cultura e do bem-estar da etnia.
“Estamos aqui para mostrar o que fazemos, para que as pessoas reconheçam que ainda existimos”, afirma Sueli, reforçando a importância da memória e da cultura na luta dos Maxakali.
























