Segunda, 03 de agosto de 2026

Reunião do Codema abordará ampliação das minas da Vale em Itabira

O Conselho Municipal de Meio Ambiente de Itabira (Codema) promove uma reunião pública para discutir a ampliação das cavas das minas da Vale, abrindo espaço para a participação da comunidade.

Reunião do Codema abordará ampliação das minas da Vale em Itabira
Mina de Conceição da Vale, em Itabira – Foto: Esdras Vinícius

O Conselho Municipal de Meio Ambiente de Itabira (Codema) realizará na segunda-feira, 12 de dezembro, uma reunião pública para discutir com a população o processo de anuência ambiental referente ao projeto de ampliação das cavas das minas Conceição e do Meio, pertencentes à mineradora Vale. O encontro está programado para às 17h, no auditório da Prefeitura Municipal, localizado na região central da cidade, e será aberto a todos os interessados.

Entenda os principais pontos sobre o evento, o projeto em debate e o papel do município no processo:

Onde e Quando será a Reunião?

  • Data: domingo (12)
  • Horário: 17h
  • Local: auditório da Prefeitura de Itabira
  • Acesso: região central, com linhas de ônibus e estacionamento disponíveis

A secretária municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal, Elaine Mendes, destacou que a escolha do horário fora do expediente comercial visa garantir maior participação da população:

“É muito importante dar essa possibilidade de participação popular. O auditório da Prefeitura é central, com linhas de ônibus e estacionamento, o que facilita o acesso”.

Por que não será uma Audiência Pública?

O evento ocorrerá como uma reunião pública e não uma audiência, pois o município atua como órgão anuente, e não como licenciador do processo:

“Não podemos realizar uma audiência pública porque somos o órgão anuente, não o licenciador”, explicou Elaine Mendes. “Propusemos uma reunião que tenha o mesmo caráter e objetivo: garantir que a população seja ouvida e orientar o voto dos conselheiros”, completou.

A licença ambiental, que deve ser concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), depende do Codema apenas para aprovar ou não a anuência municipal.

Qual será o Formato da Reunião?

A reunião foi planejada para promover clareza e diálogo entre a sociedade:

  1. Abertura com a presidente do Codema, Elaine Mendes (5 min);
  2. Apresentação do projeto pela Vale (20 min + até 5 min de tolerância);
  3. Exposição do parecer técnico da Secretaria de Meio Ambiente e Proteção Ambiental, SEMAPA (20 min + até 5 min de tolerância);
  4. Intervalo para recebimento de perguntas (15 min);
  5. Sessão de perguntas e respostas (3 min por pergunta, sem réplica);
  6. Manifestação de conselheiros previamente inscritos (3 min cada);
  7. Encerramento.

“Nós não temos instrumento legal para fazer uma consulta formal. Porém, o relatório da reunião será anexado ao parecer final do Codema e enviado à SEMAD”, explicou Elaine Mendes.

Diferença entre Anuência e Licenciamento

A anuência ambiental consiste em uma posição técnica e política do município sobre o empreendimento. O licenciamento, que é a autorização efetiva para a atividade, está sob a responsabilidade da SEMAD:

“Podemos sugerir medidas, mas quem decide tudo é o Estado”, destacou a analista de Meio Ambiente, Flávia Lage. “Nosso papel é entender os impactos no município, especialmente sobre as unidades de conservação locais”, continuou.

O Projeto de Ampliação das Cavas

Mina Conceição (CCE):

  • Massa: 434,7 milhões de toneladas de minério
  • Teor médio de ferro: 45,70%
  • Área total: 428,47 hectares (104,96 hectares de nova área)
  • Altura máxima do talude: 635 metros

Minas do Meio (MMI):

  • Massa: 628,3 milhões de toneladas de minério
  • Teor médio de ferro: 45,87%
  • Área total: 911,11 hectares (501,42 hectares de nova área)
  • Altura máxima do talude: 760 metros

Pilhas de Estéril e Rejeitos

  • PDER ITA-CAU-01: atenderá rejeitos filtrados da Usina Conceição e estéreis das cavas
  • Área útil: 306,05 hectares
  • Volume: 89,46 milhões de m³
  • Casa da Velha/Ipoema: receberá estéril da Mina Cauê
  • Área útil: 132,73 hectares
  • Volume: 30,2 milhões de m³

A construção dessas estruturas exigirá a supressão de 378,37 hectares de vegetação nativa e intervenção em 58,66 hectares de Área de Preservação Permanente (APP), incluindo o corte de 520 árvores nativas isoladas.

Compensações Ambientais

Flávia Lage informou que a Vale deverá compensar 256 hectares de Mata Atlântica, sendo 80 hectares em Ouro Preto e 170 hectares em Itabira, com 90% das compensações sendo realizadas em território itabirano:

“A legislação permite compensações em qualquer parte da bacia do Rio Doce, mas mais de 90% estão sendo feitas em Itabira”, afirmou.

Importância da Reunião

A reunião é uma oportunidade crucial para debate público sobre os impactos ambientais do projeto e permitirá que o posicionamento da comunidade seja registrado oficialmente no parecer do Codema:

“Esse encontro vai ajudar a formar a opinião dos conselheiros antes da votação da anuência”, finalizou Elaine Mendes.

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