Terça, 21 de abril de 2026

Cátia de França: A Fênix Negra da Música Brasileira em Ascensão

Cátia de França: A Fênix Negra da Música Brasileira em Ascensão
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agênc

Em novembro de 2024, a cantora e compositora paraibana Cátia de França embarcou para os Estados Unidos com um misto de ansiedade e expectativa. Seu álbum, No rastro de Catarina, lançado naquele ano, foi indicado ao Prêmio de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa no Grammy Latino.

A cerimônia de premiação, programada para 14 de novembro em Miami, marcou um novo capítulo na carreira de Cátia. Ao passar pela fiscalização da alfândega, um oficial se surpreendeu ao descobrir que ela era uma artista indicada a um dos prêmios mais respeitados na música.

“Ele vibrou! Imagina um policial americano que é tido como ‘brutamontes’! Isso já me fez um bem medonho”, relembrou.

A aparência de Cátia, uma senhora de 78 anos com cabelos brancos, contrasta com sua força criativa. Multi-instrumentista, Cátia tem mais de meio século de trajetória musical e se reinventou artisticamente após ser descoberta por um público jovem.

Recentemente, ela se apresentou no Festival Agô em Brasília, onde parte do público desconhecia as dificuldades que a artista enfrentou ao longo da vida. Cátia, que começou sua trajetória musical com uma formação erudita, refere-se à sua infância como um berço musical.

“Meu pai adorava ‘sofrência’, e mamãe sempre teve o rádio ligado full time”, explica. Com uma carreira consolidada, seu álbum 20 palavras ao redor do sol, lançado em 1979, é considerado um clássico cult na música nordestina.

Apesar do sucesso inicial, Cátia enfrentou desafios devido ao seu perfil como mulher negra e lésbica na música brasileira durante a ditadura militar. Seu primeiro disco não teve o reconhecimento esperado na época, mas agora, com a ajuda da internet, sua obra está sendo redescoberta por novas gerações.

Entre seus admiradores estão artistas contemporâneos como Josyara e Juliana Linhares, que reconhecem a importância da sua contribuição para a música popular brasileira. “Se mais pessoas tivessem acesso ao trabalho de Cátia, ela certamente seria mais reverenciada”, afirma Daniel Pitanga, músico e professor.

Incrivelmente, mesmo sem vencer o Grammy Latino, Cátia conquistou a crítica com seu novo álbum. A cerimônia de premiação também proporcionou um reencontro com Lulu Santos, um antigo colaborador.

Cátia se demonstra grata pela visibilidade que tem recebido atualmente. “A cada show, vejo o reconhecimento chegar, e isso é uma emoção nova para mim”, comentou. A fênix paraibana continua a brilhar intensamente na música brasileira.

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