A novela do Anel Rodoviário de Belo Horizonte ganhou mais um capítulo de cobrança e indignação. Em audiência pública realizada nesta quinta-feira (11), na Câmara Municipal, vereadores criticaram a falta de definição sobre projetos e prazos para a execução de obras consideradas urgentes para reduzir os congestionamentos e os altos índices de acidentes na via.
O encontro, promovido pela Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços, reuniu parlamentares, representantes da Prefeitura de BH e da BHTrans, mas não contou com a presença de representantes do governo de Minas, da Metrô BH e da VLI Logística, fato que gerou novas críticas.
O vereador Irlan Melo (Republicanos) foi direto: “Prefeito Álvaro Damião, diga ‘sim’ ao alargamento do pontilhão. A cidade precisa disso com urgência. Não dá mais para enrolar. Vou marcar uma audiência em novembro para ver se conseguimos arrancar alguma solução ainda este ano”.
Já o vereador Braulio Lara (Novo) destacou a existência de um projeto executivo já pronto para o viaduto da Avenida Amazonas e para o pontilhão da linha férrea. “Está tudo feito: cálculos, fundação, topografia. Falta apenas decisão política. O que precisamos saber é se vamos reativar esse projeto ou fazer outro, e quem vai bancar: Município ou Estado. O que não pode é continuar parado”.
R$ 44 MILHÕES PARA O PONTILHÃO
Entre as obras consideradas prioritárias no Anel Rodoviário, está a ampliação das pistas no trecho do pontilhão da linha férrea, entre os bairros das Indústrias e Vista Alegre. O custo estimado é de R$ 44 milhões. A previsão de funcionamento da Linha 2 do metrô apenas em 2028 torna a intervenção ainda mais urgente, segundo os parlamentares.
VOZ DAS REDES
A audiência sobre o Anel Rodoviário repercutiu nas redes sociais, onde moradores e motoristas demonstraram revolta. “Todo dia um acidente, todo dia engarrafamento. O Anel é uma armadilha para quem precisa trabalhar”, escreveu um usuário no X (antigo Twitter).
“R$ 44 milhões não é gasto, é investimento em vidas. Quantas ainda vão se perder até começarem as obras?”, questionou outro internauta no Facebook. Em grupos de WhatsApp de bairros do entorno, motoristas cobraram soluções rápidas e classificaram a via como “anel da morte”, termo que voltou a ganhar força nos debates online.
MEDIDAS PALIATIVAS
Representantes da Prefeitura citaram medidas em andamento. O assessor da presidência da BHTrans, Leandro Martins Morais, afirmou que estão sendo instaladas 62 faixas de fiscalização eletrônica em 23 pontos da via, além da previsão de 40 novas até 2026.
Ele também anunciou a redução da velocidade máxima para 70 km/h em veículos leves e 60 km/h em pesados, além de estudos para proibir caminhões na faixa da esquerda. O diretor da Suzurb, Maurício Cangussú, listou intervenções já realizadas, como o recapeamento de sete quilômetros de acessos, a revitalização de duas passarelas e a limpeza de dezenas de dispositivos de drenagem.
PRÓXIMOS PASSOS
Como encaminhamentos, os vereadores decidiram:
- Enviar um requerimento de informações à PBH e ao governo estadual;
- Marcar uma nova audiência em novembro, com a convocação de representantes do Estado e das concessionárias.
Para Irlan Melo, a pressão precisa continuar: “Não podemos aceitar mais desculpas. Cada dia de atraso custa vidas no Anel”.
























