Quarta, 22 de abril de 2026

Venezuela denuncia ‘pirataria’ após apreensão de petroleiro pelos EUA

Venezuela denuncia 'pirataria' após apreensão de petroleiro pelos EUA
© Reuters/Maxwell Briceno/Reprodução proibida

O governo da Venezuela categoricamente condenou a apreensão de um petroleiro do país por forças dos Estados Unidos, chamando a ação de um “roubo descarado” e de pirataria. O navio, que transportava aproximadamente 1,1 milhão de barris de petróleo, foi interceptado em águas internacionais nesta quarta-feira, levando a uma alta nos preços do petróleo no mercado global.

A nota oficial, divulgada pela administração de Nicolás Maduro, afirma: “A política de agressão contra nosso país responde a um plano deliberado de saque de nossas riquezas energéticas. Este novo ato criminal se soma ao roubo da Citgo, que é um ativo estratégico para todos os venezuelanos”.

No início de dezembro, um tribunal dos EUA havia autorizado a venda da Citgo, uma filial da estatal petroleira PDVSA, confiscada após o não reconhecimento da reeleição de Maduro em 2019.

O governo venezuelano sustenta que as ações dos EUA revelam as verdadeiras motivações por trás de sua agressão contínua. “Não é a migração, não é o narcotráfico, não é a democracia, não são os direitos humanos. Sempre se tratou de nossas riquezas naturais, nosso petróleo, nossos recursos que pertencem exclusivamente ao povo venezuelano”, afirma a mensagem.

A vice-presidente do país, Delcy Rodriguez, fez uma declaração em rede social afirmando que a apreensão do petroleiro é um ilícito internacional e afirmou: “A Venezuela recorrerá a todas as instâncias internacionais para denunciar esse roubo vulgar”.

A medida foi divulgada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que se comprometeu a manter o navio. Trump mencionou que estão ocorrendo “outras coisas”, evidenciando a pressão militar sobre a Venezuela com a intenção de provocar uma mudança de regime.

O especialista em geopolítica Ronaldo Carmona, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), comentou sobre a situação, indicando que a ação dos EUA pode sugerir um bloqueio naval com o intuito de restringir as receitas da Venezuela, preparando o terreno para a queda do governo de Maduro. “Essa ação contra o petroleiro é um indicativo grave, especialmente para o Brasil, pois traz a guerra para uma região pacífica como a América do Sul”.

A apreensão do petroleiro representa uma escalada no cerco militar dos EUA contra a Venezuela, que já enfrentou inúmeras operações contra embarcações no Caribe, sob a alegação de combate ao narcotráfico, apesar do país não ser um dos principais produtores de cocaína.

Durante sua campanha eleitoral em 2023, Trump chegou a admitir que esteve próximo de “tomar” todo o petróleo da Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo. Desde 2017, a Venezuela enfrenta um embargo econômico imposto pelos EUA.

No início deste mês, a Casa Branca publicou diretrizes que reafirmam a intenção de os EUA manterem sua “proeminência” na América Latina. Especialistas alertam que as ações contra a Venezuela visam a uma troca de regime em Caracas, que mantém estreitas relações com a China, Rússia e Irã.

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