A mineradora Vale planeja a expansão das cavas e pilhas de rejeito nas minas do Meio e de Conceição em Itabira, potencialmente prolongando suas operações na cidade por até duas décadas. O pedido de anuência será discutido em uma reunião pública do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), marcada para segunda-feira (12), às 17h, no auditório da Prefeitura Municipal.
Embora a proposta não vise aumentar a produção, ela se configura como uma extensão do beneficiamento de minério de ferro por mais 19 anos. Essa prolongação representa mais extração em uma região com mais de 80 anos de mineração, marcada por impactos socioambientais severos e uma escassa oferta de contrapartidas por parte da empresa.
Novas Pilhas e Riscos Aumentados
O projeto inclui a instalação de duas pilhas de rejeito seco, substituindo o modelo de barragens, que é proibido pela Lei Mar de Lama Nunca Mais (Lei Estadual nº 23.291/2019,lei). Contudo, os riscos associados não têm sido adequadamente discutidos nas esferas técnicas e institucionais.
Histórico de Riscos
O recente deslizamento de uma pilha de estéril em Conceição do Pará, que forçou a evacuação de famílias, destaca a apreensão sobre a segurança das novas estruturas propostas. Em Itabira, a expansão das pilhas representa um aumento no risco, sem que medidas de segurança concretas tenham sido apresentadas à população até o momento.
Ausência de Compensações
Apesar da magnitude do projeto, a Vale não indicou propostas concretas de contrapartidas sociais para a cidade. Segundo Leonardo Ferreira Reis, conselheiro da Cáritas Diocesana no Codema, a empresa promete prolongar seu trabalho até 2041, mas sem garantias de empregos ou estratégias para mitigar os impactos à saúde e ao meio ambiente. Ele ressalta que os salários em Itabira são inferiores aos de outras regiões e que as condições de segurança no trabalho são precárias.
Impactos Aterradores
As preocupações de Reis se estendem ao impacto na qualidade do ar e ao rebaixamento do lençol freático, além da expulsão de agricultores e moradores de áreas afetadas pelo projeto. Ele cita a região da rodovia 105, que será suprimida, impactando diretamente áreas como Vila Paciência e Vila Amélia.
Necessidade de Diálogo
O conselheiro critica a falta de comunicação da Vale com a população e com o Codema. “Esperamos há meses por dados sobre as pilhas antigas e as novas estruturas”, afirma Reis, expressando uma desconfiança generalizada em relação à mineradora devido a sua história conturbada, incluindo o trágico colapso em Brumadinho.
A reunião pública foi agendada após pressão popular para garantir que as vozes dos moradores, trabalhadores e organizações sejam ouvidas. As reivindicações serão encaminhadas à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que decidirá sobre o licenciamento. “A população tem se organizado para exigir seus direitos e superar a dependência da extração mineral”, finaliza Reis.























