Na tarde de segunda-feira (23), um superaquecimento nos componentes dos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, localizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), resultou na evacuação do prédio e deve atrasar a retomada das atividades de pesquisa, conforme informado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
Esse incidente compromete a produção de radioisótopos utilizados em diversas aplicações médicas. A instalação, que é um centro pioneiro na produção nacional desse tipo de material, está situada no campus Butantã da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
Embora a situação tenha gerado fumaça e danificado parte dos painéis, a Cnen assegura que não houve risco de comprometimento da segurança ou vazamento de radiação.
Uma inspeção foi realizada pela brigada de emergência da instituição juntamente com o Corpo de Bombeiros, o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).
A Cnen declarou em nota: “Até o momento, não há diagnóstico das causas do superaquecimento. Dois painéis de controle foram danificados. A CETESB foi acionada para medir a qualidade do ar na área afetada”.
Para garantir a segurança, a instituição já contratou uma empresa especializada para realizar um laudo técnico e um orçamento para a instalação de novos painéis. Não houve operações no reator durante o incidente, mas alguns sistemas permaneceram energizados para manter a segurança.
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) também conduziu vistorias nos dias 24 e 25, confirmando que o incêndio teve uma natureza localizada e afetou apenas um conjunto de racks, sem representar um risco radiológico significativo.
A ANSN destacou que mesmo com o reator desligado, alguns sistemas essenciais para a segurança permanecem ativos, como o sistema de refrigeração. A Cnen informou que os módulos de controle potencialmente afetados passarão por avaliação técnica, com o devido acompanhamento da ANSN.
Com 68 anos de operação, o reator IEA-R1, que utiliza um núcleo de urânio, conta com 12 estações de pesquisa, sendo utilizadas para a produção de elementos radioativos para a medicina e agricultura. Desde novembro de 2025, o reator estava em processo de readequações após a identificação de alterações em elementos refletores.
A Cnen concluiu, ressaltando que, mesmo diante do incidente, não houve comprometimento da segurança nuclear, porém as atividades foram suspensas como medida de prudência para evitar danos adicionais.
Atualmente, o Brasil possui quatro reatores nucleares de pesquisa, todos vinculados à Cnen, sendo o IEA-R1 o maior deles, com uma potência licenciada de 5 MW.
Em Iperó, São Paulo, um novo reator nuclear está em fase de construção, previsto para ser entregue até 2029, com capacidade de 30 MW, que permitirá a autossuficiência na produção do radioisótopo Molibdênio-99, vital para diagnósticos médicos.
























