O impasse entre o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) e a ArcelorMittal continua sem solução. Os operários da Usina de Monlevade permanecem em regime de turno fixo.
Nesta sexta-feira (20), o sindicato apresentou três contrapropostas temporárias para a jornada de trabalho. No entanto, a empresa informou que não aceitou os modelos sugeridos.
A divergência ocorre após o término da convenção coletiva que regulamentava as escalas de trabalho, encerrada em 28 de fevereiro. Sem um acordo, a empresa implantou, conforme a legislação, o turno fixo, com horários das 7h às 15h, das 15h às 23h e das 23h às 7h, sem revezamento.
A adoção desse modelo gerou insatisfação entre os trabalhadores, que relatam desgaste físico, mental e perdas salariais, especialmente aqueles que permanecem no turno diurno. Tentativas de diálogo foram feitas pela empresa, mas os trabalhadores preferem um modelo de turno de 12h a cada 4 dias de trabalho, seguido de 4 dias de folga, o que a empresa considera inviável em Monlevade.
Propostas do sindicato
Diante do impasse, o Sindmon-Metal não convocou nova assembleia e apresentou três alternativas com duração de 60 dias:
- Jornada de 12 horas com quatro dias seguidos de trabalho e quatro dias de folga.
- Modelo de quatro letras e oito subletras, usado anteriormente.
- Um sistema semelhante ao utilizado na Mina do Andrade, também da ArcelorMittal, com turno de 12 horas.
O sindicato afirma que esses modelos têm respaldo na prática, inclusive na própria empresa, indicando viabilidade operacional. Em boletim divulgado nas redes sociais, a entidade afirmou que busca uma transição equilibrada para os trabalhadores até que uma solução definitiva seja alcançada.
Além disso, o Sindmon-Metal destacou que qualquer avanço nas negociações será submetido à deliberação dos trabalhadores, assegurando a participação direta na decisão.
Proposta da empresa
Antes das contrapropostas, a ArcelorMittal havia sugerido retornar temporariamente ao modelo 6-3-3, por 60 dias, enquanto uma consultoria avaliava alternativas para um modelo definitivo. No entanto, a empresa alega que essa proposta não foi apresentada ao sindicato para apreciação pelos trabalhadores.
Em nota, a Usina de Monlevade afirmou que não aceita nenhuma proposta que envolva jornada de 12 horas, posição já comunicada ao sindicato e aos empregados. Quanto ao modelo de quatro letras e oito subletras, a alegação é de que sua implementação requereria a contratação de mais de 180 novos funcionários, o que é considerado inviável no atual cenário da siderurgia.
A empresa admite que o turno fixo não é o ideal, especialmente devido aos impactos na remuneração, mas mantém esse formato pela falta de um acordo coletivo que regulamente o revezamento.
Expectativa
Com as contrapropostas formalizadas e a rejeição já manifestada pela empresa, a expectativa recai sobre novos desdobramentos nas negociações. Enquanto não há consenso, os trabalhadores seguem em turno fixo, e o impasse permanece sem previsão de resolução. O Sindmon-Metal agendou uma conversa com os trabalhadores de turno de revezamento para segunda-feira (23).























