Domingo, 16 de agosto de 2026

Plano de Recuperação Territorial no Rio visa áreas ocupadas pelo crime

O governo do Rio de Janeiro irá apresentar um novo plano de reocupação territorial para áreas afetadas pela criminalidade, numa ação conjunta com várias esferas do governo.

Plano de Recuperação Territorial no Rio visa áreas ocupadas pelo crime
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O secretário da Polícia Militar do Rio, coronel Marcelo Menezes, anunciou que o estado irá apresentar, em breve, um plano de reocupação territorial, que envolverá diferentes esferas de poder, como o governo federal e as prefeituras. Este plano terá atribuições específicas para a requalificação dos espaços e para o atendimento às comunidades nessas áreas.

A elaboração do plano atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. O principal objetivo é garantir a presença efetiva do poder público através da implementação de políticas voltadas para a juventude e a melhoria dos serviços básicos nessas regiões.

Menezes esteve na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (15) para discutir os planos da secretaria. “Houve uma reunião de trabalho com todos os secretários, em conformidade com a determinação do STF para que o estado apresente um plano de reocupação territorial”, declarou ele.

O deputado Carlos Minc (PSB) enfatizou a necessidade de uma abordagem efetiva para a retomada de territórios em áreas conflagradas, possibilitando que os serviços públicos cheguem a quem vive nessas comunidades. “A polícia sozinha não resolve, mas é necessário ter um plano de reocupação de territórios. Ter um projeto de reconquista para essas áreas é unânime entre os deputados”, afirmou.

Além disso, o secretário confirmou que a corporação possui cerca de 5 mil agentes inativos que podem ser reintegrados para funções administrativas e de policiamento próximo. A proposta consiste em admitir temporariamente policiais militares da reserva, por até nove anos, para atividades administrativas ou em programas de segurança pública.

O coronel Menezes destacou que essa medida se relaciona com o Programa Segurança Presente, a Lei Seca e a Operação Foco (antiga Barreira Fiscal), permitidos para suprir a falta de efetivo na corporação. “Propondo o uso desses veteranos para programas que integram a segurança pública sem enfrentar áreas conflagradas”, explicou.

O deputado Luiz Paulo (PSD) se comprometeu a apresentar uma emenda ao projeto para que os agentes contratados atuem apenas nas funções administrativas e nos programas específicos mencionados pelo secretário.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio cumpriu, na quarta-feira, a primeira etapa das medidas ordenadas pelo STF na ADPF 635. Dentre os 18 itens exigidos pela Corte, três foram cumpridos em um prazo de 180 dias, e o documento foi enviado ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para apresentação ao STF.

“Estamos cumprindo nosso compromisso com a sociedade e com a Justiça, avançando concretamente na implementação das medidas determinadas pelo STF, com foco na preservação da vida e na segurança dos cidadãos”, afirmou o governador Cláudio Castro, em nota.

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