O recente surto de hantavírus em um navio de cruzeiro na rota Argentina-África gerou um alerta global sobre essa doença rara, que possui uma taxa de letalidade média de 46,5%. No Brasil, a hantavirose é considerada endêmica, com circulação contínua, especialmente em áreas rurais das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Segundo o Ministério da Saúde, o país registrou sete casos e uma morte até abril de 2026.
Diferente da cepa “Andes”, identificada no navio e que permite a transmissão entre humanos em contatos próximos, as variantes que circulam em território brasileiro são transmitidas exclusivamente por roedores silvestres. A infecção ocorre pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva desses animais, geralmente em ambientes fechados ou durante atividades agrícolas.
Os sintomas iniciais, como febre e dor de cabeça, podem ser confundidos com outras doenças, como gripe ou dengue. Porém, a doença pode evoluir rapidamente, em poucas horas, para a Síndrome Cardiopulmonar causada por Hantavírus, resultando em insuficiência respiratória grave.
Para combater a alta mortalidade e a subnotificação em áreas remotas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um teste rápido que detecta a doença em apenas 20 minutos com uma gota de sangue. Este dispositivo, já aprovado pela Anvisa, é essencial para o diagnóstico precoce, uma vez que não existe tratamento antiviral específico disponível, sendo o suporte hospitalar intensivo a única opção para garantir a sobrevivência do paciente.
Fonte: BBC Brasil























