Segunda, 09 de março de 2026

Polilaminina: avanços e desafios nos testes para recuperação da mobilidade

Polilaminina: avanços e desafios nos testes para recuperação da mobilidade
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisa sobre a polilaminina, desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a farmacêutica Cristália, ganhou destaque recentemente. No entanto, ainda existem questões a serem esclarecidas antes que se possa confirmar a capacidade da substância em ajudar pessoas com lesão medular a recuperar seus movimentos.

Ainda que os estudos liderados pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho tenham começado há mais de 25 anos, a maior parte desse tempo foi voltada para a fase pré-clínica. Durante essa etapa inicial, os pesquisadores avaliavam o efeito da polilaminina em culturas de células e em modelos animais antes de avançar para testes em humanos.

O que é a polilaminina?

A polilaminina foi descoberta acidentalmente pela professora Tatiana Sampaio enquanto tentava separar as moléculas da laminina, uma proteína fundamental no nosso organismo. Ao testar um solvente, ao invés de desmembrar as moléculas, observou-se que elas se uniram, formando uma nova estrutura que nunca havia sido reproduzida em laboratório.

As proteínas lamininas são essenciais no sistema nervoso, pois servem como suporte para os axônios, que são responsáveis pela transmissão de sinais entre o cérebro e o corpo. Lesões na medula espinhal podem romper os axônios, resultando em perda de comunicação sensorial e motora.

Projeto piloto

Após resultados positivos em ensaios com ratos, um estudo-piloto foi conduzido entre 2016 e 2021, envolvendo oito pacientes com lesões médias. Apesar de apresentar um quadro clínico grave, cinco pacientes que receberam a polilaminina mostraram melhora na mobilidade e sensibilidade, embora não todos tenham retornado a andar.

Bruno Drummond, um dos pacientes, comentou: “Foi uma virada de chave… Mexer o dedão do pé foi um marco. Quando passa um sinal do cérebro até uma extremidade, significa que há comunicação no corpo todo”.

No entanto, a segurança e eficácia da polilaminina ainda precisam de validação. Um estudo pré-print sobre o programa ressalta que até 15% dos pacientes com lesão completa podem recuperar algumas funções naturalmente.

Desafios e próximas fases de testes

Conforme explica o professor de Farmacologia Eduardo Zimmer, os ensaios clínicos passam por três fases. A fase 1 envolve pacientes saudáveis para verificar a segurança da substância. O estudo atual será iniciado em pacientes com lesão medular, monitorando eventos adversos.

A Anvisa autorizou a aplicação em cinco voluntários, ressaltando que a eficácia deverá ser notada desde a fase 1. Além disso, duas dosagens diferentes da polilaminina serão testadas se o estudo avançar para a fase 2.

Os pesquisadores acreditam que se a polilaminina provar sua eficácia, poderá representar uma solução inovadora para um problema que afeta milhões, sendo necessária a rigorosa avaliação ética e científica antes de sua possível aplicação em larga escala.

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