Quarta, 18 de fevereiro de 2026

Fiocruz revela risco elevado de suicídio entre jovens, principalmente indígenas

Fiocruz revela risco elevado de suicídio entre jovens, principalmente indígenas
© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que a população jovem apresenta um risco elevado de suicídio, com uma taxa de 31,2 casos para cada 100 mil habitantes, superando a taxa geral da população de 24,7. Entre os homens jovens, essa taxa chega a 36,8 casos.

Destaque para a população indígena, que enfrenta a situação mais crítica, com uma taxa de suicídios de 62,7.

O 2º Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Saúde Mental, elaborado pela Agenda Jovem Fiocruz e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), enfatiza que o suicídio é um problema de saúde especialmente grave entre jovens indígenas.

Conforme os pesquisadores, “jovens indígenas, especialmente homens na faixa de 20 a 24 anos, têm uma taxa altíssima de 107,9 suicídios para cada cem mil habitantes”.

Além disso, a taxa de suicídio entre mulheres jovens indígenas é superior à das mulheres de outras populações, atingindo 46,2 para a faixa etária de 15 a 19 anos.

A pesquisadora Luciane Ferrareto destaca que variáveis culturais e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde contribuem para esse quadro alarmante, acrescentando que, embora os indígenas tenham mais acesso à informação, eles ainda enfrentam o preconceito na sociedade.

“Os indígenas hoje têm muito acesso à informação, mas ainda há muito preconceito contra eles na sociedade”, afirmou Luciane.

O estudo também analisa internações hospitalares, mortalidade e serviços de saúde mental relacionados à juventude, abrangendo indivíduos de 15 a 29 anos entre 2022 e 2024.

MAIS INTERNAÇÕES DE HOMENS JOVENS

A pesquisa revela que 61,3% das internações por problemas de saúde mental são de homens jovens, com uma taxa de internação de 708,4 por 100 mil habitantes, un 57% superior à das mulheres, que é 450.

Menos da metade dos jovens internados por questões de saúde mental recebe acompanhamento médico e psicológico após a alta hospitalar.

O abuso de substâncias psicoativas é a principal causa das internações de homens jovens, com 38,4% dos casos, sendo que 68,7% destes resultam de abuso de múltiplas drogas. Na sequência, aparecem a cocaína (13,2%) e o álcool (11,5%). Para as mulheres, a principal causa de internação é a depressão.

Em contrapartida, entre a juventude em geral, o abuso de drogas e os transtornos esquizofrênicos têm um peso quase equivalente nas internações: 31% e 32%, respectivamente.

A alta taxa de internação dos homens jovens por abuso de substâncias está relacionada a uma combinação de fatores sociais, culturais e econômicos. A pressão por um padrão de masculinidade que preza a força e a autossuficiência pode dificultar a busca de ajuda emocional, levando ao uso de drogas como forma de escapismo.

“Além disso, muitos desses jovens já são chefes de família. A falta de oportunidades de trabalho, empregos precários, instabilidade financeira e a sensação de fracasso social contribuem para o uso de substâncias como fuga”, explica a especialista.

VIOLÊNCIA FÍSICA E SEXUAL NA ADOLESCÊNCIA

Entre as mulheres, Luciane destaca que a violência, tanto física quanto sexual, durante a adolescência, muitas vezes perpetrada por familiares, pode levar a problemas de saúde mental. Mulheres jovens, na faixa de 22 a 29 anos, também enfrentam o desafio de abandonar estudos e trabalhos para cuidar de filhos ou familiares, devido à falta de suporte nas políticas públicas.

Apenas 11,3% dos atendimentos para jovens nas unidades de saúde têm foco em saúde mental, comparado a 24,3% na população geral. Ao mesmo tempo, a taxa de internações na juventude foi de 579,5 casos para cada 100 mil habitantes, com as idades de 20 a 24 anos subindo para 624,8 e 25 a 29 anos para 719,7. Essas taxas superam as da população adulta acima de 30 anos, que é de 599,4.

Andrei Sobrinho, coordenador da AJF, ressalta que os jovens são os mais afetados por problemas de saúde mental, violências e acidentes de trabalho, mas muitas vezes são os que menos buscam cuidados de saúde, não parando de trabalhar mesmo quando doentes.

“Muitas vezes, os jovens, a sociedade e o Estado agem como se eles tivessem que suportar qualquer coisa exatamente por serem jovens”, conclui Sobrinho.

O estudo analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre internações, óbitos e atendimentos na área de saúde mental, complementados por informações do Censo 2022 do IBGE.

SE PRECISAR, PEÇA AJUDA

Quem se encontra em situações de crise ou com pensamentos suicidas deve buscar apoio em sua rede de suporte, incluindo familiares, amigos e educadores, além de serviços de saúde. O Ministério da Saúde recomenda que ninguém hesite em pedir ajuda e conversar com alguém de confiança.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio, disponível gratuitamente e de forma voluntária, por telefone (188), e-mail, chat e VoIP 24 horas por dia.

Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento:

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde;
  • UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
  • Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).
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