Sexta, 08 de maio de 2026

Fiocruz conquista patente inovadora para tratamento da malária resistente

Fiocruz conquista patente inovadora para tratamento da malária resistente
© Alex Pazuello/Secom

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve a patente para um método de tratamento que utiliza um composto promissor contra a malária, com foco em casos resistentes aos medicamentos tradicionais.

A patente foi concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO) e reúne uma equipe de inventores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais.

O método utiliza o composto conhecido como DAQ, que demonstrou capacidade de atuar contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, o parasita responsável pelas formas mais graves da doença. Os pesquisadores destacam que a eficácia do DAQ reside na sua habilidade de superar os mecanismos de resistência desenvolvidos pelo microrganismo.

Embora o DAQ não seja uma molécula nova, sua atividade antimalárica foi mencionada pela primeira vez na década de 1960. Recentemente, o grupo da Fiocruz, liderado pela pesquisadora Antoniana Krettli, retomou os estudos utilizando abordagens modernas da química e biologia molecular.

“Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. Nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar os mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química”, explicou Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da Fiocruz.

O composto atua de maneira semelhante à cloroquina, interferindo em um processo essencial para a sobrevivência do parasita. Durante a digestão da hemoglobina humana, o microrganismo produz substâncias tóxicas que, normalmente, consegue neutralizar. O DAQ bloqueia esse mecanismo de defesa, resultando na morte do parasita.

Os estudos indicaram uma ação rápida do composto nas fases iniciais da infecção, mostrando eficácia tanto contra cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum. Além disso, resultados promissores foram obtidos contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos de malária registrados no Brasil.

Outro ponto relevante é o baixo custo potencial do DAQ, considerado estratégico para países de baixa e média renda onde a malária permanece endêmica.

A pesquisa contou com a colaboração de instituições como a University of California San Francisco (UCSF), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Novas investigações estão em andamento em parceria com a >Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Apesar dos resultados promissores, o desenvolvimento do DAQ como medicamento ainda requer etapas adicionais, incluindo testes de toxicidade, definição de doses seguras e eficazes, bem como o desenvolvimento da formulação farmacêutica adequada.

A patente, concedida em março deste ano, é válida até 5 de setembro de 2041. Antoniana Krettli acredita que a estrutura da Fiocruz pode acelerar as futuras etapas de desenvolvimento do tratamento:

“A instituição tem forte atuação na Amazônia, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, além de experiência em testes clínicos. Isso facilita parcerias e o avanço de novos medicamentos”, finalizou.

Os pesquisadores advertem que, apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes, o parasita da malária continua evoluindo e desenvolvendo resistência. Por isso, ressaltam a necessidade de desenvolver novas alternativas terapêuticas desde já, a fim de evitar uma possível escassez de medicamentos eficazes no futuro.

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