Segunda, 09 de março de 2026

Estudo da UFMG investiga comprimido mensal para prevenir HIV com MK 8527

Estudo da UFMG investiga comprimido mensal para prevenir HIV com MK 8527
Caixa de PreP diário usado atualmente. Foto: Reprodução/UFMG

A Faculdade de Medicina da UFMG está envolvida em um estudo internacional que avalia a eficácia de um novo medicamento na prevenção da infecção por HIV. A pesquisa foca no MK 8527, desenvolvido pela farmacêutica Merck, que se apresenta como uma alternativa de profilaxia pré-exposição, a PrEP, em formato oral com administração mensal. O objetivo central é comparar o desempenho do novo comprimido com o esquema diário tradicional FTC/TDF, atualmente utilizado na prevenção e disponível no SUS.

A PrEP tem um papel fundamental na redução do risco de infecção pelo HIV, sendo oferecida em modalidades como a versão oral de uso diário e a PrEP injetável, que pode ser aplicada a cada dois ou seis meses. A proposta do atual estudo busca preencher uma lacuna, já que, até o momento, não existe um comprimido mensal aprovado para essa finalidade. Se a eficácia do MK 8527 for confirmada, isso poderá oferecer mais opções de prevenção com uma rotina de uso distinta.

O estudo na UFMG é liderado pelo professor Jorge Andrade Pinto, do Departamento de Pediatria, em parceria com os professores Mateus Westin e Júlia Caporali do Departamento de Clínica Médica, além da professora Flávia Ferreira, também da Pediatria. Os resultados iniciais, conforme informações divulgadas pela Faculdade de Medicina, são baseados em cinco estudos clínicos de fase 1 e um de fase 2, envolvendo 431 voluntários, independentemente de estarem ou não vivendo com HIV. Os dados preliminares indicam uma alta potência contra o vírus, baixa toxicidade e uma longa meia-vida no sangue, características que sustentam a proposta de uma dose mensal.

O professor Jorge Pinto enfatiza que essas propriedades tornam o medicamento um forte candidato para ampliar as opções de prevenção: “Essas características fazem do medicamento uma forte candidata a ampliar as opções de prevenção, oferecendo mais praticidade e potencialmente melhor adesão ao uso”, declarou. Ele também reforçou que essa nova estratégia poderia somar às opções já disponíveis, augmentando a flexibilidade para os usuários. “Se a eficácia for comprovada, essa alternativa agregaria valor às opções existentes, proporcionando maior liberdade de escolha para os usuários”, completou.

Este é o primeiro estudo de fase 3 focado em investigar a eficácia do MK 8527 administrado mensalmente, em comparação à PrEP oral diária, na prevenção da infecção por HIV. Os pesquisadores sublinham que, apesar dos progressos nas estratégias de prevenção e tratamento, novas infecções ainda se concentram em grupos específicos com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, evidenciando a urgência de estratégias preventivas adaptativas.

Além do impacto clínico, o estudo mencionou possíveis efeitos no sistema de saúde. A avaliação da equipe sugere que uma pílula mensal poderia ter custos inferiores ao uso diário e estimular a adesão, que atualmente é um desafio significativo. Contudo, ressaltam que a efetividade do custo dependerá de preços acessíveis e de condições que garantam o acesso, especialmente em países de baixa e média renda. “O ideal é que a PrEP se adapte ao estilo de vida, condições socioeconômicas e ao acesso aos serviços de saúde de cada indivíduo”, concluiu Jorge Pinto.

A pesquisa está em fase de implementação na UFMG, sob a responsabilidade da Unidade de Pesquisa em Vacinas da Faculdade de Medicina, a UPqVac. A equipe já completou a triagem do primeiro grupo de voluntários e espera-se que os testes tenham início ainda em janeiro, com uma duração prevista de cerca de três anos.

Com informações da UFMG.

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