Sábado, 12 de setembro de 2026

Canetas emagrecedoras: Pediatras alertam sobre riscos para crianças

A Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um alerta a respeito do uso inadequado das canetas emagrecedoras, medicamentos que podem trazer riscos significativos à saúde de crianças e adolescentes.

Canetas emagrecedoras: Pediatras alertam sobre riscos para crianças
Foto: Receita Federal/Divulgação

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fez um importante alerta sobre os riscos do uso inadequado de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, em crianças e adolescentes. O uso desses medicamentos sem indicação médica e acompanhamento especializado pode trazer consequências graves para a saúde da população jovem.

No comunicado divulgado, a SBP enfatiza que o uso descontrolado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos, incluindo:

  • Déficit de crescimento e desenvolvimento;
  • Desidratação e distúrbios eletrolíticos;
  • Perda de massa muscular;
  • Pancreatite aguda;
  • Problemas na vesícula biliar.

“O uso com finalidade estética também pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal”, ressaltou a entidade.

A SBP pede cautela ao considerar o uso de produtos sem proceder adequados ou registro sanitário, como aqueles manipulados ou importados sem o consentimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, os especialistas destacam que esses medicamentos não devem ser utilizados por adolescentes com peso adequado para atender a padrões estéticos.

O comunicado enfatiza ainda que, mesmo diante do diagnóstico de doenças como obesidade e diabetes tipo 2, a prescrição não deve ser automática. O médico deve considerar fatores como:

  • A resposta a intervenções anteriores;
  • A gravidade da doença;
  • A presença de comorbidades;
  • Os riscos potenciais;
  • A capacidade de acompanhamento médico;
  • As expectativas do paciente e da família.

Para um tratamento mais preciso, a SBP sugere esquecer a terminologia das canetas emagrecedoras e adotar “medicamentos para tratar a obesidade”, reconhecendo a obesidade como uma doença crônica e enfatizando a importância de melhorar a saúde e a qualidade de vida.

“Expressões associadas exclusivamente ao emagrecimento podem contribuir para a banalização do tratamento e reforçar o estigma das pessoas com obesidade que necessitam de farmacoterapia”, completou a SBP.

Eventos Adversos

Os eventos adversos mais comuns associados a esse tipo de medicamento são de natureza gastrointestinal e tendem a ocorrer principalmente durante o aumento progressivo da dose. São eles:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Refluxo;
  • Azia;
  • Diarreia;
  • Constipação.

A perda de massa magra também é um risco especificado pelos pediatras, que recomendam acompanhamento médico adequado. Eventos considerados potencialmente graves incluem pancreatite, hipoglicemia e colelitíase.

“A evidência científica disponível comprova a eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados conforme critérios estabelecidos e em associação com intervenções de estilo de vida. O principal problema observado atualmente, especialmente nas redes sociais, é a banalização do uso desses medicamentos”, finalizou o comunicado.

Contraindicações

A SBP alerta que as canetas emagrecedoras são contraindicadas para:

  • Pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação;
  • Gestantes e lactantes;
  • Pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

O relatório de pancreatite prévia é considerado uma contraindicação relativa, exigindo avaliação médica individualizada.

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