João Carlos Mansur, ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada centrada em Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O documento inclui 17 anexos abordando suspeitas de crimes financeiros, conforme relatado pela repórter Natália Portinari, do UOL.
Inicialmente, Mansur e Vorcaro tentaram fazer uma delação em conjunto, mas a PGR e a Polícia Federal (PF) recusaram a proposta por considerá-la insuficiente. Recentemente, a defesa de Mansur foi substituída pelo advogado criminalista Alísio Medeiros.
Na proposta, Mansur alega que a Reag prestava serviços ao Master desde 2019, período em que Vorcaro assumiu o controle do banco. Ele afirma que a Reag era utilizada para desviar dinheiro do Master, utilizando laranjas e estruturas offshores. Mansur ainda menciona que os desvios eram de conhecimento de Vorcaro, que os gerenciava pessoalmente.
Mansur foi alvo da operação Compliance Zero, conduzida pela PF, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos e desvios de recursos relacionados a Vorcaro. Além disso, ele identificou pessoas que, segundo suas declarações, atuavam como laranjas e cotistas de fundos associados ao empresário.
Um dos exemplos citados por Mansur envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas ilhas Cayman, ao qual o Master teria enviado R$ 494 milhões. Embora Benjamin Botelho, ex-dono da gestora Sefer, seja o beneficiário oficial deste fundo, Mansur aponta que o verdadeiro proprietário é Vorcaro.
Na delação, o nome do senador Jaques Wagner (PT-BA) é mencionado. Segundo Mansur, Augusto Lima, ex-sócio do Master, teria solicitado que ele comprasse ingressos para um show de Taylor Swift ao senador, no valor de R$ 63.300. Wagner declarou ao UOL que a solicitação foi um pedido pessoal a um amigo e que não tinha qualquer vínculo com Mansur ou com a Reag.
Outro político citado na delação é ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, que detém cotas do fundo de investimento Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. ACM Neto destacou que o fundo foi criado em 2021 com recursos próprios, de origem declarada e lícita.
Até o momento, o acordo de delação não foi formalmente assinado para envio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que será responsável pela análise da homologação.























