Sexta, 17 de abril de 2026

STF aceita denúncia contra 9 militares e 1 agente da PF por golpe de Estado

STF aceita denúncia contra 9 militares e 1 agente da PF por golpe de Estado
Foto: Divulgação/STF

Pela decisão unânime da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), na terça-feira (20), foi acatada a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra nove militares, ativos e da reserva do Exército, e um agente da Polícia Federal, acusados de tentativa de golpe de Estado em 2022.

Dos onze denunciados, dois foram absolvidos por falta de provas, conforme o relator, o ministro Alexandre de Moraes. Os absolvidos são o coronel da reserva do Exército Cleverson Ney Magalhães e o general do Exército Nilton Diniz Rodrigues.

Crimes imputados

A ação penal acusa os réus dos seguintes crimes:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: penas entre 4 a 8 anos
  • Golpe de Estado: penas de 4 a 12 anos
  • Organização criminosa: penas de 3 a 8 anos
  • Dano qualificado: penas de 6 meses a 3 anos
  • Deterioração de patrimônio tombado: penas de 1 a 3 anos

Cumulativamente, as penas máximas podem ultrapassar 36 anos para cada denunciado. Moraes destacou que existem indícios suficientes da autoria, apresentando um relatório que o Ministério Público agora deverá comprovar.

Defesas e declarações

Durante as sustentações orais, as defesas alegaram que seus clientes não participaram da elaboração ou divulgação de uma carta aos comandantes das Forças Armadas. Contudo, Moraes ressaltou que o fato de o golpe não ter sido consumado não exime o crime.

O ministro Flávio Dino reforçou que uma declaração de um dos envolvidos, tenente-coronel Mauro Cid, que afirmou ser uma “conversa de bar”, não justifica a inocência, uma vez que o plano incluía ações para eliminar autoridades.

O presidente da Turma, Cristiano Zanin, destacou que discussões a respeito de um plano para realizar um golpe de Estado vão além de uma simples conversa informal.

Objetivos do plano

Os réus estariam articulando para manter o ex-presidente Bolsonaro no poder através de ações coercitivas, visando monitorar e neutralizar autoridades. Os principais alvos incluíam os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Mensagens obtidas nos dispositivos móveis dos acusados demonstraram um aumento nas discussões sobre a disseminação da ideia de fraude eleitoral.

Lista de réus

Os acusados são:

  • Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, general da reserva do Exército
  • Fabríco Moreira de Bastos e Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, coronéis do Exército
  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército
  • Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel do Exército
  • Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenentes-coronéis do Exército
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel do Exército
  • Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal
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