Diante da insatisfação crescente do Congresso, o Planalto decidiu liberar emendas parlamentares que estavam atrasadas. Porém, esse gesto, embora tardio, não impediu retaliações, que resultaram na derrubada de vetos presidenciais e, consequentemente, em uma derrota significativa para o governo no debate sobre o setor elétrico.
O impacto financeiro dessa situação recairá sobre o consumidor, mas a maior perda foi do Executivo. O governo de Lula, ao sugerir que o Congresso seria o responsável pelo aumento nas tarifas de energia, ignorou sua própria participação no processo, reforçando a divisão infantil entre “nós” e “eles” e intensificando a irritação no Parlamento.
A anulação do decreto relacionado ao IOF pode não ter trazido grande impacto fiscal, mas possui um valor simbólico importante, proporcionando uma oportunidade para que deputados e senadores se apresentassem como defensores dos contribuintes. No fundo, no entanto, nenhum dos lados parece disposto a solucionar o impasse. O tão necessário corte estrutural de gastos é evitado por ambos os setores, que preferem manter privilégios e aumentar as despesas.























