O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), declarou em uma entrevista na segunda-feira (23) que o grupo de prefeitos brasileiros em Israel, durante o início dos conflitos com o Irã, recebeu orientações para atuar como embaixadores da verdade antes de deixar o país. As informações foram divulgadas durante uma conversa com o UOL.
Segundo Damião, a delegação participou de uma palestra conduzida por Rafael Rozenszajn, do Ministério da Defesa israelense, em 15 de julho, um dia antes da partida do grupo pela fronteira com a Jordânia.
O prefeito mineiro revelou que esperava discutir planos de evacuação, mas a palestra se transformou em uma sessão focada em estatísticas de guerra. “O palestrante citou que nós seríamos representantes de Israel no Brasil”, disse.
Damião considerou que a palestra promovia uma propaganda de guerra, ressaltando que o pedido para que os políticos apoiassem a perspectiva de Israel no conflito foi inoportuno no contexto em que eles se encontravam.
Contexto da Visita
Na ocasião, 12 prefeitos brasileiros estavam em Israel quando o conflito começou, em 12 de junho. A viagem, realizada a convite do governo israelense, tinha como propósito participar de um evento sobre inovação em segurança pública.
Entre os prefeitos, estavam Cícero Lucena (PP), de João Pessoa (PB); Claudia Lira (Avante), vice-prefeita de Goiânia (GO); Johnny Maycon (PL), de Nova Friburgo (RJ); Nélio Aguiar, ex-prefeito de Santarém (PA); Welberth Rezende (Cidadania), de Macaé (RJ); e Vanderlei Pelizer (PL), vice-prefeito de Uberlândia (MG).
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou que o ministro Mauro Vieira, chefe do Itamaraty, providenciasse a retirada dos prefeitos em 13 de junho, um dia após os ataques aéreos iniciados em Israel. O resgate ocorreu apenas em 16 de junho, quando os prefeitos conseguiram sair de ônibus rumo à Jordânia e dali para a Arábia Saudita, de onde retornaram ao Brasil.
























