Segunda, 15 de dezembro de 2025

Pesquisa revela que 70% dos trabalhadores veem sindicatos como essenciais

Pesquisa revela que 70% dos trabalhadores veem sindicatos como essenciais
Manifestação de trabalhadores no Primeiro de Maio em São Paulo- Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, integrada ao estudo “O Trabalho e o Brasil”, destaca que 68% dos trabalhadores brasileiros reconhecem a importância dos sindicatos na defesa dos direitos e na melhoria das condições laborais. Além disso, 70% dos entrevistados manifestaram apoio ao direito de greve.

O levantamento, realizado em parceria com o Dieese e o Fórum das Centrais Sindicais, envolveu 3.850 trabalhadores, incluindo assalariados com e sem carteira assinada, autônomos, empreendedores, servidores públicos, trabalhadores de aplicativos, desempregados e aposentados, com uma margem de erro de 1,6 ponto percentual.

Cerca de 52% dos entrevistados expressaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a atuação dos sindicatos. Notavelmente, até segmentos tradicionalmente céticos em relação ao sindicalismo, como autônomos e empreendedores, mostraram um alto interesse em se filiar a uma entidade, com 49% se manifestando a favor.

Adriana Marcolino, socióloga e diretora técnica do Dieese, comentou sobre os dados: “Os números surpreenderam. Sabíamos que não era a percepção de alguns setores da sociedade, que afirmam que os sindicatos não são representativos ou têm legitimidade. A pesquisa demonstra que diversos segmentos de um mercado heterogêneo concordam sobre a importância dos sindicatos, embora estes precisem se aproximar mais dos trabalhadores”.

Outros dados da pesquisa indicaram que 68% dos participantes reconhecem que os sindicatos contribuem diretamente para a melhoria dos salários e das condições de trabalho. Para 67,8%, esses sindicatos atuam na melhoria da qualidade de vida; 67,1% valorizam a mediação entre a entidade e as empresas; e 64,3% ressaltam a defesa dos direitos trabalhistas.

No entanto, um aspecto preocupante é que 52,4% dos entrevistados não têm conhecimento sobre a transparência das ações dos sindicatos que os representam.

Quando questionados sobre como os sindicatos poderiam melhorar sua atuação, os entrevistados sugeriram maior presença de representantes nas locais de trabalho (49,4%), comunicação mais eficaz (37,5%) e oferta de cursos de especialização (29,6%).

Em termos de prioridades, 63,8% desejam melhores salários, seguidos pela criação de empregos de qualidade (36,6%), políticas de saúde e segurança no trabalho (26,6%), redução da jornada laboral (21%) e combate à discriminação (18%).

Adriana Marcolino acrescentou: “Os autônomos e trabalhadores informais representam uma parte significativa da classe trabalhadora, chegando a 38%. Muitos deles consideram a importância do sindicato e desejam se filiar, mas sentem que não há sindicatos adequados para suas necessidades. O desafio agora é se aproximar desses trabalhadores e organizar suas vozes dentro da nova estrutura do mercado de trabalho”.

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