O ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, minimizou o expressivo apoio conquistado por senadores que se manifestaram a favor do impeachment de ministros da Corte.
Em conversas com assessores políticos após o resultado eleitoral, Mendes utilizou uma metáfora para expressar sua visão sobre o futuro do relacionamento entre o STF e o Congresso Nacional: “Sou um enfermeiro que já viu muito sangue. Não me afobo”.
O ministro destacou que existe uma diferença significativa entre prometer o impeachment de ministros durante a campanha e efetivamente levar adiante um processo complexo como este no Senado.
A sua calma decorre ainda de uma decisão tomada em 2025, quando Mendes concedeu uma liminar que alterou as regras da Lei do Impeachment. Essa alteração aumentou a necessidade de um quórum de dois terços para a abertura de processos de impeachment, ao invés da maioria simples anterior.
Nas eleições recentes, a direita conseguiu eleger 33 senadores, aumentando seu número para pelo menos 50 cadeiras dentro das 81 existentes. Isto é importante, pois alguns partidos centristas também tendem a apoiar iniciativas mais conservadoras, potencialmente facilitando a aprovação de projetos que possam ameaçar direitos sociais e trabalhadores.
A coalizão formada por PL, PP, Republicanos e Novo terá 43 senadores em 2027, o que será suficiente para conquistar a presidência do Senado. Isso permitirá que a extrema direita, sem a necessidade de alianças com o Centrão, avance com projetos que busquem punições a autoridades, como ministros do STF e ao procurador-geral da República.
*FONTE: INTERCEPT BRASIL/PODER360























