Em um momento icônico da política brasileira, Fernando Collor de Mello fez uma visita relâmpago a Itabira no dia 16 de agosto de 1991, marcada por uma atmosfera de incertezas políticas e sociais.
Um ano após essa visita, o presidente seria deposto através de um impeachment, um mecanismo político e jurídico inédito até então. Nas eleições de 1989, Collor, então candidato pelo pequeno Partido da Reconstrução Nacional (PTN), obteve uma vitória significativa, conquistando 20,6 milhões de votos (28% do eleitorado), utilizando uma campanha marcada por técnicas de marketing profissional.
No primeiro turno, Luiz Inácio da Silva, que não usava o apelido Lula na época, obteve 11,6 milhões de votos (16%). Durante o segundo turno, Collor venceu com 35.089.98 votos, equivalentes a 53% dos votos válidos, assumindo o cargo com apenas 40 anos.
O início de seu governo, no entanto, foi ensombrado por um forte desgaste, comum na gestão Collor, desencadeado pelo confisco da poupança e uma inflação anual herdada de 84,23% do governo José Sarney.
A visita a Itabira foi cercada por uma série de atrasos e incertezas, até ser confirmada após quatro meses de remarcações. Collor chegou à cidade por volta das 13 horas, onde foi recebido pelo prefeito Luiz Menezes e outros representantes locais, vestindo uma blusa de lã rosa que contrastava com a formalidade do evento.
Apesar da grande expectativa, Collor não fez pronunciação oficial e seguiu rapidamente, sem interagir com a imprensa, levantando especulações sobre sua vida pessoal, como a crise no casamento com a primeira-dama Rosane Malta. A sua visita teve um tom de megalomania, refletindo em um projeto de plantio de um milhão e quinhentas mil árvores na cidade, a parceria com a CVRD.
Assim, a rápida passagem de Fernando Collor por Itabira ficou marcada pela sua efemeridade e pelas expectativas não cumpridas da comunidade, lembrando outros momentos de forma semelhante na política nacional.
























