“Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira!”. Inspiro-me no icônico locutor esportivo Fiori Gigliotti para narrar o primeiro tempo da eleição presidencial. E o jogo acabou? Não ainda. O resultado final permanece indefinido. Flávio Bolsonaro se apresenta como favorito para assumir a presidência do Brasil. Esta avaliação é baseada na frieza dos números e no pragmatismo da política atual.
A primeira rodada culminou com Flávio obtendo 47,03% dos votos e Lula ficando com 45,16%. A diferença irrisória de 1,87%% evidencia um cenário bem equilibrado.
Neste segundo turno, as chances de mudança no panorama são escassas. Dos 56 milhões que votaram em Flávio, Lula atraiu a preferência de 53 milhões de eleitores. Os concorrentes menores – Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema – somaram apenas nove milhões de votos.
A questão que se levanta é: para onde migrará o eleitorado do quarteto nanico? É evidente que a maioria tenderá a apoiar Flávio, dada a incompatibilidade ideológica com Lula. Os eleitores desses candidatos têm pouca probabilidade de votarem no petista, e sua migração de votos poderia elevar o percentual de Flávio.
Por outro lado, Lula parece ter alcançado seu teto de crescimento, refletido na abstenção de 21% das últimas eleições, ou seja, 33 milhões de cidadãos ausentes, sinalizando uma considerável rejeição a ambos os candidatos (ambos carregam cerca de 45% de desaprovação, segundo dados do Datafolha).
A mobilização desse eleitorado ausente será crucial para a campanha de Lula nas próximas duas semanas. Contudo, essa missão é complicada, uma vez que muitos desses eleitores também poderiam optar por votar em Flávio.
Em conclusão, o atual presidente deverá superar enormes desafios para manter sua posição no Palácio da Alvorada. Historicamente, nenhum candidato que perdeu a primeira rodada reverteu a situação no segundo turno, colocando Lula em seu maior teste de resiliência política até o momento.
Sobre as Pesquisas: Geralmente, as pesquisas previram resultados mais acertados do que errados, embora algumas tenham se desequilibrado. Durante quase toda a competição, os institutos apontaram um empate técnico, podendo qualquer candidato sair vitorioso no primeiro turno. Em Minas Gerais, as pesquisas acertaram ao prever a ascensão do fenômeno Cleitinho, que teve sucesso na votação.
Entretanto, na disputa senatorial, ocorreu uma falha crítica quando o ex-governador Aécio Neves foi apontado como favorito, mas acabou por ficar em último lugar na contagem final. Uma grande decepção para o partido.























