A Bolívia se prepara para as eleições gerais no dia 17 de agosto, com a direita dominando as pesquisas de intenção de voto enquanto a esquerda se fragmenta, especialmente sob a influência do ex-presidente Evo Morales, que apela ao voto nulo.
O empresário Samuel Medina desponta como o favorito nas pesquisas, enquanto Andrónico Rodríguez, ex-aliado de Evo e atual presidente do Senado, não supera os dois dígitos nas intensões de voto.
Cenário Político
Além de escolher presidente e vice, o país também elegerá 130 deputados e 36 senadores, num contexto em que cerca de 12 milhões de bolivianos estarão habilitados a votar. O partido Movimento ao Socialismo (MAS) enfrenta uma divisão interna que ameaça encerrar um ciclo de 19 anos de governos de esquerda.
O Legado de Evo Morales
Após sua saída do governo devido a um golpe militar em 2019 e o retorno ao poder em 2020 com Luis Arce, Evo Morales racha o MAS, que, sob sua influência, se divide em facções opostas ao governo atual. Apesar de estar impedido de se candidatar a uma nova eleição, devido a restrições legais, Morales se tornou uma força de oposição, denunciando perseguições políticas enquanto enfrenta acusações graves.
Recentemente, manifestações pró-Morales paralisaram parte do país e resultaram em várias mortes, evidenciando a tensão política na região.
Fragmentação da Esquerda
O presidente Luiz Arce, insatisfeito com sua baixa popularidade devido a uma crise econômica, optou por não concorrer à reeleição e indicou seu ex-ministro Eduardo De Castillo como candidato. No entanto, De Castillo encontra-se com apenas 2% nas pesquisas de intenções de voto.
Andrónico Rodríguez, que se afastou do MAS para se candidatar por outra legenda, caiu drasticamente nas intenções, e Eva Copa, uma ex-líder do MAS, desistiu de sua candidatura alegando que seu partido não estava preparado.
Direita em Ascensão
No cenário atual, a direita, liderada por Samuel Medina e Jorge “Tuto” Quiroga, apresenta estabilidade nas pesquisas, com somas que podem ultrapassar 47% dos votos. A necessidade de um segundo turno é iminente, caso os dados se confirmem, podendo ocorrer no dia 19 de outubro.
A direita boliviana, representada por Medina e Quiroga, é definida como tradicional, sem ser extrema. Medina, por exemplo, é um empresário que já teve experiência política significativa, enquanto Quiroga possui história no governo e na política de direita da Bolívia.
Impactos Futuro
O modelo constitucional plurinacional da Bolívia, resultado da ascensão do MAS, poderá enfrentar desafios sob um novo governo de direita. Especialistas acreditam que mudanças significativas na estrutura da Constituição de 2009 não devem ocorrer, a menos que novas composições políticas sejam estabelecidas.
























