O Brasil definitivamente entrou no modo “eleições 2026”. As peças já se movimentam com desenvoltura no tabuleiro da sucessão presidencial. Uma motivação explícita fez iniciar essa precoce corrida rumo ao Palácio do Planalto: a fragilidade do Governo Lula.
A situação econômica do país é controversa. O Freud das finanças não conseguiria explicar a causa de tanto descontentamento. Afinal, a administração petista exibe atraentes números no mostruário da economia: PIB em alta, crescente geração de empregos, inflação sob controle e balança comercial favorável.
Vai tudo muito bem, no entanto, há algo de podre no reino da Dinamarca tupiniquim. E por que tanta insatisfação popular? A resposta é simples. A ponta da sociedade não foi recompensada com os benefícios de tão “atraente” Scenário financeiro. Em outras palavras, os bolsos do povo estão surrados. O consumidor percebeu que o governo não fez a necessária reforma das gôndolas dos supermercados, e os preços dos gêneros alimentícios habitam a estratosfera. E aí, meu prezado, não existe picanha que resista.
E pior. Pintaram duas inesperadas pedras no meio do caminho dos “companheiros”, em péssima hora, diga-se: a roubalheira no INSS e a macumba chamada Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). O IOF é um flerte com o desastre. O confronto entre Executivo e Legislativo poderia desencadear um cenário de Oriente Médio no Planalto Central. As consequências do arranca-rabo seriam imprevisíveis. Glicerina pura. Ainda bem que o bombeiro Xandão deu as caras no circo.
Então, uma coisa é certa. O Governo Lula anda a esmo. Este panorama deflagrou o processo eleitoral com imensa antecipação. No momento, as rampas palacianas se encontram bastante acessíveis. Este quadro desagua no título da coluna. A esquerda brasileira não conseguiu produzir novos talentos para a política nas últimas décadas. No espaço progressista, só resta um ator com poder de competitividade: Luiz Inácio Lula da Silva, o plano A. E se o “grande líder” desistir de concorrer à reeleição? Aí a água baterá no queixo da patota (PT).
Não há ninguém com a competência eleitoral de Lula na raia vermelha. Fernando Haddad, hoje em dia, não tem perfil nem para poste. O ministro é estratégico saco de pancadas. Uma negativa unanimidade. Apanha à esquerda e à direita. Haddad se transformou num fenômeno de vulnerabilidade.
O campo liberal (ou até a extrema-direita) apresenta planos A, B, C, D, E, F. Uma fartura de alternativas. O time tem Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior, Pablo Marçal, Eduardo Leite e outros pretendentes menos cotados. Nikolas Ferreira não poderá participar do jogo. O parlamentar mineiro ainda é astro da categoria sub-30. A família Bolsonaro encontra-se no banco de reservas. O capitão, todavia, exige a vaga de titular para Michelle ou Eduardo. Lembrando que Jair não entrará em campo. Mesmo porque, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que Bolsonaro recuperar a sua elegibilidade.
Na verdade, o mito está a um passo da masmorra. Até o final do ano, será encarcerado, mas não permanecerá preso. O ex-presidente convive com sérios problemas de saúde. E, neste caso, terá direito ao mesmo privilégio penal de Fernando Collor de Mello: prisão domiciliar, com sombra e água fresca. Jurisprudência é jurisprudência (como diria Milânio). E ponto final.
P.S.: No caso do IOF, o Executivo e Legislativo demonstraram ampla, geral e irrestrita incapacidade para o diálogo. Então, fatalmente foram enquadrados pelo Judiciário. E, mais uma vez, Alexandre de Moraes assumiu o protagonismo no palco dos poderes da República. O Brasil nunca pariu uma classe política tão avacalhada. Desta forma, Xandão jamais deixará de ser Xandão.
























