Domingo, 08 de março de 2026

Debate na Câmara de Itabira sobre projeto de reprocessamento de rejeitos da Vale

Debate na Câmara de Itabira sobre projeto de reprocessamento de rejeitos da Vale
Foto: Jardel Mendes/DeFato

Durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Itabira, realizada na quinta-feira (19), os vereadores Bernardo Rosa (PSB), Elias Lima (Solidariedade) e Júlio Contador (PRD) discutiram um projeto apresentado pela Vale para o reaproveitamento de rejeitos e bens minerais metálicos armazenados em barragens, diques e cavas do Complexo Minerário de Itabira.

A proposta foi apresentada ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) no dia 12 de fevereiro, mas sofreu um pedido de vistas pelos conselheiros Patrícia Freitas (OAB Itabira) e André Viana (Sindicato Metabase), que solicitaram mais tempo para análise.

O projeto prevê o reaproveitamento de rejeitos acumulados nos diques Minervino e Cordão Nova Vista, na barragem de Conceição, na barragem e paliçadas do Rio do Peixe, e nas cavas Onça e Periquito.

De acordo com a Vale, a iniciativa tem potencial para processar até 5 milhões de toneladas de bens minerais metálicos por ano e recuperar cerca de 5,8 milhões de metros cúbicos anuais de material atualmente disposto em estruturas de contenção, utilizando usinas existentes no complexo.

O vereador Bernardo Rosa destacou a necessidade de um diálogo claro por parte da mineradora. “Obviamente, cobramos clareza e transparência, um diálogo maior da Vale para com a cidade e para conosco, gestores públicos”, afirmou. Ele reconheceu a importância do reaproveitamento dos rejeitos, mas exigiu informações sobre os impactos, especialmente em relação ao transporte e à segurança da população.

Bernardo também levantou questionamentos sobre a arrecadação municipal decorrente da atividade. “Ali vai ser apenas a sobra ou já paguei por aquilo que está minerado? Vou também pagar porque agora vou vender aquele rejeito que ali está?”, indagou, defendendo que o debate ocorra antes do início das operações.

O vereador Elias Lima, que acompanhou a reunião do Codema ao lado de Júlio Contador, expressou preocupação com os impactos ambientais e sociais, principalmente para os moradores das áreas de retirada. Ele recordou que a região já enfrentou problemas estruturais no passado, como trincas em imóveis. “Precisamos de máxima transparência com as pessoas que moram ao redor”, disse, ressaltando ainda a necessidade de controle e o impacto no tráfego da rodovia que liga a região a Pedreira e Santa Maria.

Elias também exigiu melhorias por parte da Vale, como a iluminação de uma passarela no Morro do Laboreaux, onde moradores enfrentam problemas de segurança.

O vereador Júlio Contador sublinhou os potenciais benefícios do projeto, como a geração de aproximadamente 400 empregos diretos, priorizando profissionais de Itabira. Ele mencionou ainda a importância da temporalidade da atividade, com prazo estimado entre sete e dez anos, representando um “suspiro” para a mineração na cidade. “Sabemos dos danos que são causados, mas também dos benefícios que virão”, ponderou, defendendo um plano de manejo que preserve a qualidade de vida da população.

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