Sexta, 01 de maio de 2026

Chavismo vence em 85% das prefeituras; oposição boicota eleições na Venezuela

Chavismo vence em 85% das prefeituras; oposição boicota eleições na Venezuela
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Flickr

No último domingo (27), o chavismo, que representa o governo venezuelano, conquistou a maioria das prefeituras nas eleições municipais realizadas. A principal coalizão oposicionista decidiu não participar do pleito, que coincidiu com o aniversário da controvertida reeleição do presidente Nicolás Maduro segundo a comunidade internacional.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) obteve 285 das 335 prefeituras em disputa, incluindo 23 das 24 capitais estaduais, conforme anunciava o presidente Nicolás Maduro. Em clima de comemoração, Maduro celebrou os resultados com apoiadores na madrugada desta segunda-feira (28) na Praça Bolívar em Caracas, afirmando:

“Vitória, vitória popular! Triunfaram a democracia e a paz, a união do povo.”

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), frequentemente acusado de parcialidade em favor do governo, reportou uma participação eleitoral de 44%, equivalente a pouco mais de 6 milhões de eleitores. Contudo, esse dado vai de encontro com observações de baixa movimentação nos centros de votação em várias cidades durante o dia.

Nos últimos doze meses, Nicolás Maduro solidificou seu poder na Venezuela, ganhando a reeleição, controlando a Assembleia Nacional, triunfando em 23 das 24 governadorias e assegurando a maioria nas prefeituras. Ele anunciou planos para uma reforma constitucional, cujos detalhes ainda não foram divulgados.

A percepção da oposição é de que o resultado das eleições municipais já estava definido, considerando que sua participação não teria efeito significativo. Essa postura reflete as denúncias de irregularidades feitas pela coalizão liderada por María Corina Machado durante as eleições presidenciais de julho. Naquela ocasião, o CNE proclamou Maduro como vencedor sem a divulgação completa dos dados de apuração, o que contraria a legislação eleitoral do país.

A oposição, liderada atualmente por Edmundo González, que se encontra no exílio, alega ter vencido as eleições presidenciais . Tanto González quanto Machado têm feito apelos ao boicote eleitoral, uma estratégia que já haviam adotado em pleitos anteriores, todos vencidos pelo chavismo.

“O que aconteceu entre 28 de julho de 2024 e hoje?”, questionou Machado na rede social X. “Naquele dia, SETENTA por cento do país VOTOU EM EDMUNDO GONZÁLEZ e hoje, NOVENTA por cento disse NÃO A MADURO”, referindo-se à taxa de abstenção.

Uma facção dissidente dentro da oposição lançou suas próprias candidaturas e, segundo Maduro, conquistou 50 prefeituras. O presidente caracterizou esses novos opositores como parte de “nova oposição”, enquanto Machado os nomeia de colaboracionistas.

A oposição conseguiu manter apenas três redutos históricos da resistência ao chavismo nas eleições, perdendo o controle de Maracaibo, a capital do relevante estado petrolífero de Zulia. Neste contexto, Maduro planeja liderar uma manifestação para comemorar o aniversário da sua proclamação eleitoral, um resultado que não é reconhecido pelos Estados Unidos e mais de uma dezena de países.

“Maduro não é o presidente da Venezuela, e seu regime não é um governo legítimo”, afirmou o diplomata dos EUA Marco Rubio, chamando Maduro de líder de uma organização “narcoterrorista”. Enquanto Washington e Caracas dialogam, mesmo com as divergências, um recente acordo resultou na libertação de 10 americanos detidos na Venezuela em troca de 252 venezuelanos presos em El Salvador por envolvimento com gangues.

María Corina Machado não possui compromissos públicos agendados e a situação política reflete uma população desmobilizada, diante do temor generalizado provocado pelas detenções de 2.400 pessoas em 48 horas durante protestos recentes. “Se eles me pegarem, vão me fazer desaparecer”, advertiu a dirigente em um encontro recente com a imprensa.

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