Segunda, 17 de agosto de 2026

Brasil pode enfrentar tarifa de 100% da OTAN por negócios com a Rússia

O cenário internacional se torna cada vez mais complexo com as recentes declarações da OTAN direcionadas ao Brasil e seus parceiros comerciais no contexto do conflito na Ucrânia.

Brasil pode enfrentar tarifa de 100% da OTAN por negócios com a Rússia
Foto: Putin vende óleo diesel ao Brasil- Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O secretário-geral da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, manifestou, nesta terça-feira (15), a intenção de impor uma taxa de até 100% ao Brasil, China e Índia, caso estes países continuem a comprar petróleo da Rússia.

Esses três países fazem parte do BRICS, um bloco que reúne as principais economias emergentes. As advertências foram feitas após uma sessão do Congresso norte-americano, onde se debatia um projeto de lei que visa tarifar países que importarem combustíveis fósseis da Rússia.

“Se você é o presidente da China, o primeiro-ministro da Índia ou o presidente do Brasil e ainda negocia com os russos e compra seu petróleo e gás, saiba que aplicarei sanções secundárias de 100%”, afirmou Rutte.

Ele também alertou o presidente russo Vladimir Putin que tem 50 dias para levar a sério as negociações de paz, solicitando que liguemos para Putin e lhe digamos que precisa dar prioridade aos acordos de paz.

O governo brasileiro reportou a importação de US$ 5,4 bilhões em diesel russo em 2024, um recorde, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Não é uma coincidência o alerta do chefe da principal aliança militar ocidental, que ocorreu apenas um dia após Donald Trump manifestar seu desagrado com a Rússia, afirmando que está disposto a impor tarifas severas se não houver um acordo em 50 dias para encerrar a guerra na Ucrânia. Trump fez essa declaração durante um encontro com Rutte na Casa Branca.

“Estamos muito insatisfeitos com a Rússia. Se não chegarmos a um acordo em até 50 dias, aplicaremos tarifas severas”, disse Trump.

Rússia reagiu com descrença às declarações de Trump sobre possíveis sanções. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, comentou que a fala do presidente americano “é séria e precisa ser analisada com calma”. Por outro lado, o vice-chanceler russo, Serguei Riabkov, afirmou que seu país siempre esteve pronto para negociar, mas que não o fará sob ultimatums ou ameaças.

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