Na tarde desta terça-feira (24), ocorreu uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF) entre o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e Casa Civil. A audiência durou cerca de 1h30 e serviu para confrontar os pontos divergentes dos depoimentos anteriores a respeito da trama golpista do 8 de janeiro de 2023.
A solicitação para a acareação partiu de Braga Netto e gira em torno de dois episódios: uma reunião na residência do ex-ministro em Brasília, no dia 12 de novembro de 2022, e o alegado repasse de dinheiro feito pelo general a Mauro Cid, destinado a financiar um plano de prisão e execução de autoridades.
Cid alega ter recebido uma sacola lacrada com uma caixa de vinho recheada de dinheiro, entregue pelo general. Ele afirmou que a quantia foi estimada pelo peso da sacola e que, apesar de nunca ter visto o dinheiro, acreditava que era suficiente para financiar os acampamentos em frente aos quartéis do Exército. O ex-ajudante justifica sua omissão sobre a transação no primeiro depoimento, dizendo que ainda estava “em choque” após a prisão de aliados.
Durante a audiência, a defesa de Braga Netto, representada pelo advogado José Luiz Oliveira Lima, questionou Mauro Cid sobre o local exato da entrega do dinheiro. Cid não soube informar, mas mencionou três áreas que transitava frequentemente no Palácio do Alvorada. Ele destacou que o repasse ocorreu pela manhã, sem a presença de testemunhas e sem provas materiais do recebimento.
Sobre a reunião na casa do general, Mauro Cid reafirmou que o encontro teve o objetivo de discutir a insatisfação com o resultado das eleições. O general, por sua vez, afirmou que Cid apareceu de forma inesperada em seu apartamento, acompanhado dos coronéis Hélio Ferreira de Lima e Rafael Martins de Oliveira, todos integrantes das Forças Especiais do Exército.
Cid declarou que saiu antes do encerramento do encontro para preparar uma reunião com Bolsonaro, ao passo que Braga Netto sustentou que todos estavam presentes até o fim.
O advogado de Braga Netto criticou as alterações nas versões de Cid, mencionando que inicialmente ele afirmara que a reunião se deu na casa do general apenas porque um dos coronéis desejava tirar uma foto. Cid justificou que no primeiro momento acreditava que se tratava de uma simples conversa, mas ao perceber a seriedade, compreendeu que discutiam o plano ‘Punhal Verde e Amarelo’, que visava a execução do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A audiência foi encerrada sem possibilidade de gravação, a fim de prevenir pressões externas, e a OAB será notificada sobre possíveis violações das prerrogativas da defesa por conta dessa decisão. O advogado José Luiz de Oliveira Lima considerou a postura de Cid durante a audiência como evasiva.

























