Quarta, 29 de julho de 2026

Policiais são denunciados por tentativa de homicídio contra motoboy em SP

O Ministério Público de São Paulo está tomando medidas legais contra três policiais militares pela tentativa de homicídio do motoboy Evandro Silva, durante a controversa Operação Escudo.

Policiais são denunciados por tentativa de homicídio contra motoboy em SP
© SSP-SP/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo denunciou três policiais militares por tentativa de homicídio contra o motoboy Evandro Silva. Este caso ocorreu durante a Operação Escudo, que resultou na morte de 28 pessoas, conforme registros das forças de segurança. A operação foi realizada após a morte de um policial na Baixada Santista, em julho de 2023, e durou 40 dias.

Em 30 de agosto de 2023, os policiais invadiram o imóvel onde Evandro estava, uma pequena empresa de entregas no Morro do José Menino, em Santos, litoral sul paulista. Durante a abordagem, eles já haviam revistado Evandro, que informou ser egresso do sistema prisional.

Enquanto se trocava no banheiro, Evandro foi atingido por um tiro de calibre 12, disparado da janela por um dos policiais. Após a pancada, ele quebrou uma janela e pulou do prédio, caindo de uma altura de 7 metros sobre uma pedra que servia de base para o edifício. No chão, Evandro foi alvejado novamente por tiros de pistola e dado como morto, acordando apenas quando o socorrista do Samu foi verificar seu estado.

Os policiais se surpreenderam ao ouvirem o socorrista afirmar: “agora ele está conosco”. Evandro somente despertou no hospital, duas semanas depois.

O caso repercutiu após a divulgação de imagens das câmeras corporais dos policiais, que mostraram que Evandro não estava armado nem teve qualquer reação, desmentindo a versão apresentada pelos policiais.

“É impossível não lembrar de tudo o que passei, da dor, do medo e da luta para sobreviver. Essa denúncia não apaga o que vivi, mas significa que a minha voz foi ouvida e que a verdade começa a ser reconhecida”, disse Evandro em nota à Agência Brasil.

O processo segue sob segredo de justiça, juntamente com outras 21 investigações sobre mortes e feridos durante a operação, das quais 17 já foram arquivadas pela Justiça estadual, enquanto duas trouxeram outros cinco policiais à condição de réus.

Evandro expressou esperança de que a Justiça se mova em direção a um futuro de respeito e dignidade não só para ele, mas para todas as vítimas de violência policial: “Que esse passo abra caminho para que ninguém mais precise passar pelo que passei”.

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