As chuvas na Zona da Mata resultaram em um trágico saldo de 46 mortes até a última quarta-feira (25), conforme divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) às 15h17. Em Juiz de Fora, são 40 vítimas fatais e 19 desaparecidas; em Ubá, seis mortes e duas pessoas ainda não foram localizadas. As operações de resgate estão em andamento com 87 bombeiros em Juiz de Fora e 22 em Ubá, e o número de desabrigados em Juiz de Fora já chega a 3 mil, além de 400 desalojados.
Durante as buscas, o perito aposentado Gerson Ângelo José Campera, que atuou em desastres como o rompimento da Barragem de Macacos e a tragédia de Brumadinho, fez uma análise técnica da situação. Em entrevista à DeFato Online, ele destacou que o volume de chuvas não é a única causa para a extensão da tragédia. “A chuva não deve ser utilizada como desculpa por falhas na infraestrutura, como a drenagem. As bocas de lobo, galerias e bacias de acumulação devem estar em conformidade para evitar que desastres aconteçam”, afirmou.
Campera ressaltou que a urbanização intensa e a impermeabilização do solo aumentam a vazão da água, levando a deslizamentos e inundações. Ele destacou que 90% das mortes em Juiz de Fora ocorreram em áreas urbanizadas e legalizadas, levantando questões sobre a adequação das avaliações geotécnicas realizadas.
A retirada de entulhos nas áreas afetadas implica riscos, e os resgates são desenvolvidos com cuidado para evitar desencadear novos deslizamentos, utilizando tecnologias como cães treinados e câmeras termográficas. O perito alertou que o período chuvoso pode se estender até março, intensificando as instabilidades no solo e orientou os moradores a ficarem atentos a sinais de fissuras nas edificações, que podem indicar problemas estruturais.
Campera criticou a prática de reparos superficiais que não abordam as causas raiz dos problemas estruturais e enfatizou a importância de vistorias técnicas regulares para prevenir riscos em áreas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos. Enquanto isso, o CBMMG reforça a necessidade de seguir as orientações de segurança e manter o monitoramento para possíveis novos alertas meteorológicos e geológicos.

























