No dia 25 de julho, comemoramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, um marco importante na luta pelos direitos das mulheres negras. Desde 2014, esta data também é reconhecida no Brasil como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à notável líder quilombola.
Tereza de Benguela, que viveu no século 18, assumiu a liderança do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, após a morte de seu marido, José Piolho, assassinado por soldados do estado. Comandando uma comunidade de mais de 100 pessoas, incluindo indígenas e negros, Tereza resistiu à escravidão por 20 anos, até 1770.
Ainda há incertezas sobre as circunstâncias de sua morte, se em um combate contra forças portuguesas ou vivendo mais tempo. No entanto, seu legado como símbolo de luta e resistência para as mulheres negras no Brasil é indiscutível.
Leonor Costa, jornalista e militante do Movimento Negro Unificado, ressalta: “Tereza de Benguela tem a nos ensinar que, diante da opressão, não há outra alternativa que não seja a luta, que não seja o enfrentamento de um sistema que oprime.”
Documentos históricos mostram que Tereza governava o quilombo em um sistema democrático, quase como um Parlamento, onde as decisões eram tomadas coletivamente.
Na atualidade, Selma Dealdina Mbaye, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, enfatiza a relevância do legado de Tereza. Ela pede a titulação urgente dos territórios quilombolas, fundamentais para o reconhecimento e dignidade dessas comunidades.
“A maioria do público dos territórios quilombos é formada por mulheres. Elas anseiam ver seus territórios titulados, livres de grilagem, exploração e outras violências”, afirma Selma, lembrando que existem mais de 8 mil quilombos no Brasil, com cerca de 1,3 milhão de pessoas.
A data de 25 de julho não só comemora Tereza de Benguela, mas também mark a luta contínua das mulheres negras. Desde 2013, ações como o Julho das Pretas, promovido pelo Instituto da Mulher Negra, reúnem diversas atividades em todo o país durante o mês.
Entre as principais ações está a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que busca justiça para vítimas de violência, como Luana Barbosa, espancada e morta há dez anos.























