Sexta, 13 de março de 2026

Misoginia digital: O impacto dos discursos de ódio contra mulheres

Misoginia digital: O impacto dos discursos de ódio contra mulheres
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nos últimos anos, a misoginia tem se tornado cada vez mais evidente nas redes sociais e fóruns da internet, estimulando hierarquias de gênero e ódio direcionado às mulheres. Especialistas destacam que tais discursos de ódio agem como combustível para ações de violência concreta, como evidenciado pelo recente caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro.

Ativistas e pesquisadores reconhecem esse fenômeno como parte de uma estrutura mais ampla denominada misoginia, caracterizada pelo ódio sistemático contra as mulheres, em defesa de privilégios históricos dos homens nas esferas social, cultural, econômica e política.

Segundo análise de especialistas, grupos misóginos utilizam códigos específicos para se comunicar e disseminar suas mensagens. Utilizam desinformação, como a noção de misandria, para afirmar que o feminismo e a legislação protetiva resultam na destruição da masculinidade.

A resposta a essas ideologias geralmente se traduz em movimentos como o masculinismo, que promovem uma “masculinidade tradicional”, propondo direitos diferenciados com base em gênero.

A ativista feminista Lola Aronovich é um exemplo de quem enfrenta ataques misóginos desde 2008, quando fundou o blog “Escreva Lola Escreva”. Seu trabalho levou à prisão de um agressor e à criação da Lei nº 13.642/2018, que confere à Polícia Federal a responsabilidade por investigar conteúdos misóginos online. Lola destaca que os agressores geralmente possuem um perfil comum: homens heterossexuais e de extrema direita, frequentemente apoiadores de líderes como Bolsonaro e Trump.

Além disso, diversos estereótipos e termos são utilizados por comunidades misóginas:

  • Machosfera: Espaços online que defendem a masculinidade tóxica.
  • Incels: Homens que se sentem rejeitados pelas mulheres e responsabilizam o gênero feminino por isso.
  • Redpill: Homens acreditam que despertaram para a manipulação feminina e buscam reafirmar sua dominância.
  • MGTOW: Homens que optam por evitar relacionamentos com mulheres.
  • Bluepill: Termo pejorativo para aqueles que acreditam na igualdade de gênero.

Os termos utilizados por esses grupos são reveladores: palavras como femoids e depósito objetificam as mulheres e evidenciam uma visão distorcida e negativa. A luta contra este fenômeno requer uma rápida mobilização social e educativa, visando transformar as percepções e eliminar a cultura do ódio.

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