Sábado, 07 de março de 2026

Ministro Toffoli se afasta da relatoria sobre as fraudes do Banco Master

Ministro Toffoli se afasta da relatoria sobre as fraudes do Banco Master
© ASCOM/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou sua saída da relatoria do inquérito que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master.

O pedido ocorreu após uma reunião liderada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para discutir as menções encontradas em mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que é o proprietário do banco.

A tarefa agora é de Fachin, que deverá redistribuir o caso para outro ministro.

Em comunicado oficial, os demais membros do STF externaram seu apoio a Toffoli, reafirmando que não há razões para alegações de suspeição ou impedimento em relação ao ministro.

“[Os ministros] Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República”

Na nota, é enfatizado que a decisão de Toffoli em abandonar o caso foi voluntária.

“Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.”

REUNIÃO

A reunião entre os ministros, que durou cerca de três horas, teve como foco o relatório da PF, que revelou menções a Toffoli no celular de Vorcaro, equipamento esse que foi apreendido durante a operação de busca.

Mesmo após a defesa de Toffoli solicitar a continuidade de sua relatoria, ele decidiu ceder à pressão pública e deixar o caso, que agora será atribuído a um novo relator.

As críticas a Toffoli aumentaram desde o mês passado, quando reportagens revelaram irregularidades em um fundo de investimento vinculado ao Banco Master, que também teve participação no resort Tayayá localizado no Paraná, anteriormente de propriedade de familiares do ministro.

Toffoli confirmou ser sócio do resort, mas negou ter recebido quaisquer valores de Vorcaro.

Leia a íntegra da nota oficial do STF:

“Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.

Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência. Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República. Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição. A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.”

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Leia também...

Últimas notícias