Domingo, 19 de abril de 2026

Ministro Moraes solicita extradição de ex-assessor do TSE por vazamentos

Ministro Moraes solicita extradição de ex-assessor do TSE por vazamentos
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou um pedido ao Ministério da Justiça para a extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Itália para o Brasil.

Tagliaferro enfrenta denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) relacionadas ao vazamento de interações entre funcionários do STF e do TSE durante 2024, quando Moraes presidiu o TSE e gerenciou as eleições. As acusações incluem crimes de violação de sigilo funcional, coação durante o processo, obstrução de investigação penal sobre crime organizado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Após o início das investigações sobre o vazamento, Tagliaferro foi exonerado e saiu do Brasil em direção à Itália, onde atualmente reside. O pedido de extradição já foi enviado ao Itamaraty.

Como chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Tagliaferro foi implicado em mensagens que revelavam pedidos de Moraes para relatórios sobre alvos de inquéritos que investigavam ataques ao Supremo e a propagação de fake news contra os ministros.

O jornal Folha de S. Paulo publicou as conversas vazadas em agosto de 2024. Segundo a denúncia do procurador-geral, Paulo Gonet, o vazamento teve a intenção de minar a credibilidade do STF e do TSE.

Durante depoimento à Polícia Federal sobre o caso, Tagliaferro levantou dúvidas sobre a atuação da Polícia Civil de São Paulo, mencionando que entregou seu celular desbloqueado durante um inquérito de violência doméstica. Contudo, Gonet avaliou isso como uma tentativa de dificultar as investigações. A PGR apresenta mensagens encontradas em um dos celulares confiscados de Tagliaferro, que corroboram seu envolvimento no vazamento das comunicações sigilosas.

Em diálogos com uma pessoa identificada como Daniela, Tagliaferro informou que havia conversado com a Folha, indicando que o veículo estava “investigando o ministro” e que o repórter envolvido na pauta “detonava o ministro”. Tagliaferro também se mostrou confiante de que “não serei identificado”.

Gonet descreveu o vazamento como uma estratégia com o objetivo de incitar a prática de atos antidemocráticos e comprometer as instituições republicanas, suscitando dúvidas sobre a integridade da Justiça Eleitoral.

Entrevista e Ameaças

A acusação da PGR ocorreu após Tagliaferro ter ameaçado divulgar mais informações confidenciais, em entrevista ao blogueiro Allan dos Santos, que também é investigado por ataques ao STF.

“Tenho bastante coisa”, afirmou Tagliaferro. “Existem algumas fraudes que foram cometidas”, acrescentou, insinuando direcionamento na atuação de Moraes contra figuras da direita.

Gonet argumentou que a entrevista é uma evidência de que o ex-assessor do TSE se alinhou aos objetivos de uma organização criminosa que busca desestabilizar as instituições brasileiras.

“O recente anúncio da intenção de revelar novas informações sigilosas a partir de um Estado estrangeiro, assim como a campanha para arrecadar fundos para essa intenção criminosa, cumpre o propósito da organização criminosa de tentar restringir o livre exercício do Poder Judiciário”, concluiu Gonet.

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