Quarta, 03 de junho de 2026

Ministro Moraes ordena apreensão de equipamentos de jornalista após investigações

Ministro Moraes ordena apreensão de equipamentos de jornalista após investigações
Moraes determinou ação contra jornalista depois de matérias sobre a família de Flávio Dino- Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a busca e apreensão de celulares e notebooks na residência do jornalista Luis Pablo após a publicação de reportagens que indicavam o uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino em São Luís, capital do estado.

A medida foi efetivada na terça-feira (10).

A decisão de Moraes, conforme informações da CNN, foi fundamentada na presença de “indícios relevantes” de que o jornalista teria cometido crimes previstos no artigo 147-A do Código Penal (crime de perseguição), em decorrência de publicações realizadas na internet e nas redes sociais, que atentariam contra um ministro do STF.

No documento, Moraes lista uma série de reportagens publicadas por Pablo em seu blog desde 20 de novembro, começando com a matéria intitulada: “Carro pago pelo Tribunal de Justiça do Maranhão é entregue a Flávio Dino e usado por sua família em São Luís”. O jornalista mencionou que o veículo tem sido utilizado pela família do ministro.

O ministro Moraes argumenta que o conteúdo da publicação demonstra que o autor fez uso de algum mecanismo estatal para identificar e caracterizar os veículos, expondo indevidamente informações relacionadas à segurança de autoridades.

Em relação às graves condutas de Luis Pablo, Moraes observa que as ações foram praticadas de maneira semelhante à de uma organização criminosa investigada no Inquérito 4781/DF (Inquérito das Fake News).

O jornalista emitiu uma nota à CNN afirmando: “Recebi a decisão com serenidade e respeito às instituições. Sou jornalista há muitos anos e sempre exerci minha profissão com responsabilidade, abordando temas de interesse público. As reportagens que motivaram a investigação foram produzidas dentro da atividade jornalística. Confio que, ao longo do processo, será demonstrado que o trabalho está respaldado pelas garantias constitucionais da liberdade de imprensa e pelo direito ao sigilo da fonte, que são pilares do jornalismo em uma democracia.”

Após a decisão, ele optou por não prestar novos esclarecimentos, respeitando o sigilo determinado pela investigação.

A CNN consultou o STF, que notificou que a investigação não é decorrente do mencionado inquérito e que foi requisitada pela Polícia Federal para apuração do crime de perseguição contra o ministro do STF (CP, art. 147-A). A documentação foi redistribuída ao Min. Cristiano Zanin antes de chegar a Moraes.

Além disso, a CNN questionou o gabinete do ministro Flávio Dino sobre o uso do carro oficial por seus familiares, recebendo a informação que não comentariam a situação. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) declarou que não se pronunciaria.

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