Sexta, 24 de julho de 2026

Justiça em Minas Gerais pune advogados por manipulação em processos com IA

Recentemente, a Justiça de Minas Gerais teve que agir contra práticas ilegais envolvendo inteligência artificial em processos judiciais, resultando em punições para advogados.

Justiça em Minas Gerais pune advogados por manipulação em processos com IA
Foto: Reprodução

A Justiça de Minas Gerais identificou tentativas de manipulação de sistemas de inteligência artificial em documentos apresentados em processos judiciais. Magistrados relataram o uso de comandos ocultos inseridos nos autos, uma prática conhecida como prompt injection, que consiste em incluir instruções escondidas em um texto para induzir sistemas de IA a gerar respostas favoráveis a uma das partes. Tal conduta foi tratada como uma tentativa de interferir na análise processual e comprometer a igualdade entre os envolvidos.

Um dos casos foi identificado por uma juíza da 1ª Vara Cível da Comarca de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A magistrada detectou instruções ocultas em um recurso de apelação cível encaminhado à segunda instância. Mesmo após a desistência do recurso pelo recorrente, a juíza analisou a conduta porque a outra parte já havia sido intimada para apresentar resposta. Ela rejeitou a justificativa de erro técnico e classificou o episódio como má-fé deliberada e atentado contra a dignidade da Justiça.

A juíza observou que o comando escondido poderia direcionar uma possível decisão contra a parte recorrida, ferindo o princípio da paridade de armas, que busca garantir equilíbrio entre as partes durante o processo. Como consequência, foi aplicada uma multa de cinco salários mínimos. Além disso, a juíza determinou o envio de ofícios à OAB-MG e à Polícia Civil de Minas Gerais para apuração ética e criminal.

Outro caso semelhante foi registrado na 29ª Vara Cível de Belo Horizonte, onde um juiz encontrou, em uma manifestação processual, um comando oculto escrito com fonte e fundo na cor branca. O texto tentava orientar um sistema de IA a deferir pedidos da parte autora. O magistrado considerou que a inserção foi deliberada e tinha o objetivo de induzir modelos de linguagem a ignorar critérios jurídicos estabelecidos pelo Tribunal, resultando em multas cumulativas e denúncia à OAB-MG para investigação ética.

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