Sexta, 20 de fevereiro de 2026

Racismo no futebol: quando a comunidade branca se mobilizará?

Racismo no futebol: quando a comunidade branca se mobilizará?
Foto: Real Madrid/Twitter

A situação se repetiu. Na última terça-feira (17), o confronto entre Benfica e Real Madrid ficou marcado por novas cenas de racismo direcionadas a Vinicius Jr. O brasileiro, mais uma vez, decidiu não se curvar a um sistema cruel que revela novos protagonistas em seus ataques, como o argentino Gianluca Prestianni.

A repercussão foi imensa, com atletas e ex-atletas negros expressando indignação. Dentre eles, o francês Kylian Mbappé, que em entrevista à repórter Tati Mantovani, da TNT Sports, discutiu o incidente e pediu ações efetivas da UEFA, entidade máxima do futebol europeu. Essa declaração gerou aplausos, mas trouxe à tona uma questão importante: quando os brancos começarão a se manifestar contra o racismo?

É verdade que alguns se posicionam sempre que um novo caso surge, mas essas vozes são isoladas. Em geral, a comunidade branca no futebol mantém-se em silêncio, como se nada tivesse a ver com a questão. O peso de lutar contra o preconceito, incluindo o racial, recai sobre as costas dos negros, que lutam diariamente contra o ódio que enfrentam tanto dentro como fora de campo.

Além disso, quando decidem se pronunciar, muitas vezes o fazem de maneira insensata, como o caso de José Mourinho, que tentou justificar o ato racista de um jogador de sua equipe mencionando a dança inofensiva de Vinicius Jr.

Essa postura é não apenas inadequada, mas sintomática do narcisismo e da sensação de superioridade que, segundo o ex-zagueiro Lilian Thuram, é característica de alguns brancos. A ideia de que é função de um branco decidir como um jogador negro deve agir em campo exemplifica o problema do “negro que aceitamos”.

É imprescindível que os privilegiados adotem uma nova postura na luta diária contra o racismo. Pedidos de desculpas ou justificativas já não são suficientes. É hora de reconhecer e assumir a parte que lhes cabe neste cenário.

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