No último sábado (7), o Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti concluiu seu mandato de dois anos, em meio a ameaças de intervenção dos Estados Unidos (EUA) caso o poder não permanecesse sob a liderança do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.
Durante a cerimônia em Porto Príncipe, Laurant Saint-Cyr, presidente do CPT, afirmou que o Conselho sai do poder sem deixar um vazio, garantindo que a continuidade ficará a cargo do gabinete ministerial.
“A palavra de ordem é clara: segurança, diálogo político, eleições e estabilidade. Eu saio com a consciência tranquila, convencido de ter feito as escolhas mais justas para o país.”
Com eleições não realizadas desde 2016, o CPT tomou posse em abril de 2024, após a renúncia de Ariel Henry, que governava desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021.
O CPT, constituído por nove conselheiros de diferentes setores, tinha como missão preparar as eleições e recuperar partes do território controladas por bandas armadas, que dominavam regiões inteiras da capital.
Ainda foi debatida a possibilidade de nomear um presidente para liderar o Estado, mas não houve consenso sobre essa decisão.
Ameaças dos EUA
Antes de encerrar seu mandato, o CPT indicou a intenção de destituir Fils-Aimé, que deveria conduzir o governo até as eleições prometidas para outubro ou novembro deste ano.
A ameaça ao primeiro-ministro motivou o governo de Donald Trump a enviar três navios de guerra para a Baía de Porto Príncipe, como parte da Operação Lança do Sul.
“A presença deles reflete o compromisso inabalável dos EUA com a segurança e um futuro melhor para o Haiti”, ressaltou a embaixada dos EUA em Porto Príncipe.
A embaixada também indicou que qualquer tentativa do CPT de alterar o governo seria considerada uma ameaça à estabilidade regional, levando os EUA a tomarem as medidas apropriadas.
Golpe e Análises
O professor Ricardo Seitenfus, especialista em relações internacionais, comentou sobre as tentativas de remoção de Fils-Aimé e destacou que ele demonstrou capacidade de articulação, não permitindo que o CPT alcançasse seu objetivo antes do fim do mandato.
“A situação de segurança melhorou, com o governo retomando controle de áreas antes dominadas por gangues.”
Seitenfus destacou a urgência da realização de eleições, afirmando que, embora elas não resolvam todos os problemas, a ausência de um processo eleitoral perpetua a crise.
Forças de Segurança e Segurança Mínima
Após o assassinato de Jovenel Moïse, o governo haitiano buscou parcerias para proteger o país e realizar eleições. Uma medida foi o acordo com a missão internacional liderada pelo Quênia para apoiar a Polícia Nacional do Haiti.
No ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação de uma Força Multinacional de Repressão a Gangues, reforçando a atuação anterior do Quênia e contratando até mercenários estrangeiros para combater as gangues armadas.
























