Domingo, 08 de março de 2026

Projeto Alfamangue: Alfabetização Ambiental na Vila dos Pescadores

Projeto Alfamangue: Alfabetização Ambiental na Vila dos Pescadores
© Fernando Frazão/Agência Brasil

Na Vila dos Pescadores, localizada em Ajuruteua, no nordeste do Pará, uma iniciativa inovadora tem transformado a forma como crianças e adolescentes aprendem a ler e escrever. O projeto Mangues da Amazônia oferece um abecedário singular, onde cada letra reflete o ambiente local.

Os alunos se reúnem em um galpão construído com troncos de madeira, que os protege das marés. Nesse espaço, a letra R é de rancho, O corresponde a ostra e Z representa zangão, formando uma ligação direta entre a alfabetização e o ecossistema que os envolve, o mangue.

Conforme a professora Pâmela Gonsalves explica, “o objetivo é que as crianças identifiquem seu espaço por meio da leitura, utilizando a fala, desenhos e jogos para conectar as letras ao seu cotidiano.”

Desafios e Necessidades na Educação Local

A cidade de Bragança enfrenta dificuldades estruturais. A escola mais próxima fica na Vila do Bonifácio, mas a maré muitas vezes impede que as crianças atravessem a ponte que liga as comunidades, levando a uma alta taxa de absenteísmo escolar. Atualmente, cerca de 25 alunos são atendidos no formato de reforço, realizado nos finais de semana.

Progresso e Resultados Positivos

Com a iniciativa, mais de 1,6 mil crianças foram impactadas em sua formação. Entre elas, a estudante Hévelly Fernandes, de 8 anos, destaca: “Eu já sei escrever meu nome melhor e quero ser pilota de avião!” A mãe de Hévelly, Rutelene Sousa, também se motivou a retomar seus estudos após perceber o aprendizado da filha.

“A educação abre muitas portas. Quando sabemos ler e escrever, temos um olhar diferente sobre o mundo.”

Impactos na Comunidade

No projeto, além da alfabetização, também se trabalha o reflorestamento e a educação sobre a preservação ambiental. As raízes do mangue servem como sala de aula viva: “Sempre utilizamos o manguezal como nosso objeto de estudo e também como lugar para aprendermos.”

Essa abordagem não apenas fortalece a alfabetização, mas também promove a conscientização sobre a importância do mangue para a subsistência das famílias locais, melhorando a conexão das crianças com seu meio ambiente.

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