Apesar da proibição legal, 29% dos cuidadores de crianças de até 6 anos confessam usar castigos físicos, como palmadas e beliscões, como estratégia disciplinar. O levantamento foi divulgado no Panorama da Primeira Infância, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
O estudo, realizado em parceria com o Instituto Datafolha, entrevistou 2.206 pessoas em todo o Brasil, sendo 822 cuidadores. A pesquisa ressalta que 17% dos cuidadores consideram tais atos como métodos eficazes de disciplina, embora 12% utilizem esses castigos cientes da sua ineficácia.
Contexto Legal
Desde 2014, a Lei Menino Bernardo proíbe esses tipos de penalidades em crianças e adolescentes no Brasil, com os infratores podendo ser advertidos e encaminhados a programas de orientação.
O nome da lei homenageia a memória de Bernardo Boldrini, que foi vítima de agressões fatais por seus familiares em 2014. Mariana Luz, diretora-executiva da fundação, critica a persistência desse padrão cultural, enfatizando que a violência não é uma solução eficaz de disciplina.
“A violência, a palmada, as agressões, as violações de direitos são detratores diretos do desenvolvimento”, afirma Luz.
Consequências e Métodos Alternativos
A pesquisa ainda revela que 14% dos cuidadores admitem gritar e brigar com as crianças. Contudo, a maioria das respostas aponta métodos mais construtivos, como conversar e explicar (96%) e acalmar a criança (93%).
Entre os que utilizam castigos, 40% acreditam que isso gera maior respeito pela autoridade, enquanto 33% reconhecem que contribui para comportamentos agressivos nas crianças.
Primeira Infância e Educação
O estudo destaca que 84% dos entrevistados não sabem que a primeira infância é a fase mais crucial do desenvolvimento humano, que vai até os 6 anos, conforme a legislação brasileira. Essa fase é quando se estabelecem as principais bases físicas, cognitivas e emocionais do indivíduo. Mariana Luz ressalta a importância de investimentos nessa etapa, com estudos demonstrando retornos significativos na educação e saúde.
Por fim, a pesquisa destaca que as crianças passam, em média, duas horas diárias expostas a telas, quando o recomendado é zero até os dois anos e uma hora entre 2 e 5 anos, sempre acompanhadas por um adulto.























