Terça, 03 de fevereiro de 2026

Crianças de Santa Maria de Itabira criam jornal artesanal com humor e crítica

Crianças de Santa Maria de Itabira criam jornal artesanal com humor e crítica
Foto: Reprodução/DeFato

O que começou como uma brincadeira entre amigos virou um projeto sério e conquistou leitores em Santa Maria de Itabira. O jornal artesanal “O Bárbaro” é produzido por três estudantes, João Torres Bretas (11), Leandro Jorge Gomes (12) e Mateus Martins de Oliveira (12), que transformam episódios do cotidiano em notícias engraçadas e críticas, tudo feito à mão e sem medo de opinar.

Os jovens escrevem, desenham, recortam imagens e vendem os exemplares, especialmente na feira municipal aos sábados. A ideia do jornal surgiu após Mateus perceber a falta de conteúdos relevantes na TV aberta. Junto dos amigos, decidiram relatar incidentes que interessam à sua comunidade.

No início, o jornal era chamado “O Nótícíáríó”, um nome que brincava com a escrita, mas logo mudaram para “O Bárbaro”, um nome que reflete a audácia e o estilo humorístico que caracterizam a publicação. “É porque é diferente, fora do normal”, explica João.

As matérias incluem críticas ao cotidiano da cidade, com João destacando uma reportagem que questionava a efetividade de uma passeata local e expressando, de forma direta, suas opiniões: “Se passeatas resolvessem ao menos alguma coisa, Santa Maria já era a capital do universo”.

A estética do jornal é propositalmente artesanal, com todas as páginas feitas à mão. João ilustra e diagramas as páginas, enquanto Mateus e Leandro contribuem com ideias e histórias. A experiência também ajudou Leandro a enfrentar sua timidez, ao interagir com o público durante a venda do jornal.

O reconhecimento rapidamente cresceu. A primeira edição teve sucesso entre colegas e professores, e a segunda edição expandiu a circulação, levando os meninos a explorar novas formas de venda, como às bicicletas. O valor simbólico do jornal é de R$2, mas o que importa para eles é o retorno positivo da comunidade, que valoriza o conteúdo e as críticas construtivas.

Gabriela Alvarenga Torres, mãe de João e professora de Geografia, ressalta que o envolvimento do filho com a leitura e escrita é natural, e que as críticas expressas no jornal refletem um olhar crítico dos jovens. “São críticas legais de se ver em meninos de 12 anos; isso é sempre estimulado na escola”, observa.

Enquanto trabalham na próxima edição, os três amigos permanecem firmes na proposta que tem encantado os leitores: explorar o cotidiano, usando papel, caneta, humor e uma abordagem crítica. “Leia o nosso noticiário”, convida João. “Leia O Bárbaro”.

“Se passeatas resolvessem ao menos alguma coisa, Santa Maria já era a capital do universo” – João Torres.

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