A Tether, empresa conhecida por emitir o USDT e líder no mercado de criptomoedas, está avançando na instalação de uma operação de mineração de Bitcoin no Brasil, utilizando energia renovável do setor sucroenergético.
Com a recente aquisição de 70% da Adecoagro, um grupo com usinas em Ivinhema e Angélica (MS) e Monte Alegre (MG), a Tether formalizou um acordo em julho para conectar data centers às plantas de biogás e biomassa, iniciando pelo Mato Grosso do Sul.
O governo do estado informou que a operação inicial deve contar com cerca de 12 MW de energia limpa proveniente das usinas da Adecoagro, que possui mais de 230 MW de capacidade de geração elétrica renovável em toda a América do Sul, possibilitando a expansão do projeto.
Estratégia e Visão do Projeto
A estratégia da Tether visa diversificar suas fontes de receita na infraestrutura energética e se consolidar como uma das principais mineradoras de Bitcoin do mundo. O plano apresenta a construção de data centers de alta densidade próximos ou integrados às plantas industriais, onde o biogás, produzido pela vinhaça da cana-de-açúcar e resíduos do processo de fabricação de álcool, será utilizado para alimentar os geradores e a rede interna.
O MT foi selecionado como um polo para esse projeto piloto devido à sua combinação de biomassa da cana e incentivos fiscais para biogás e biometano. Desde abril de 2024, o estado reduz a base de cálculo do ICMS para apenas 12% e oferece créditos fiscais de 85% (internos) a 90% (interestaduais), o que pode reduzir a carga tributária para cerca de 1,8%, aumentando a viabilidade de empreendimentos elétrico-intensivos como a mineração.
Viabilidade Energética e Exigências Regulatórias
A vinhaça, subproduto da destilação do etanol, será processada em biodigestores que converterão o biogás em eletricidade. Essas plantas já têm autorização para operar na geração de bioeletricidade e são uma parte importante do planejamento energético do estado, que busca ampliar sua rede de biometano. A Tether também considera a experiência em outros países, como Uruguai e El Salvador, ao integrar a energia renovável à estrutura de mineração no Brasil.
Embora não haja uma legislação específica sobre a mineração de criptomoedas no Brasil, os municípios costumam categorizar essa atividade como processamento de dados, podendo haver incidência de ISS conforme as normas locais. Além disso, a Receita Federal aplica regras de reporte e tributação sobre criptomoedas, com isenção para operações de até R$ 35 mil/mês para pessoas físicas, o que pode influenciar na adoção das criptos por investidores locais.
























