Domingo, 19 de abril de 2026

Tarifaço de Trump pode pressionar acordo Mercosul-União Europeia, afirma Apex

Tarifaço de Trump pode pressionar acordo Mercosul-União Europeia, afirma Apex
© Robson Moura/TV Brasil

O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode acelerar o processo de negociação entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A análise é do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana.

“Eu acho que o Brasil não tem que focar em qual vantagem a gente vai tirar nisso. Até porque o presidente Lula é do multilateralismo, propõe acordos. Mas é óbvio que, qualquer analista vai ver, se os Estados Unidos conseguirem implementar essas medidas, pode ter como consequência, por exemplo, acelerar o processo do acordo Mercosul-União Europeia”, disse Viana em uma coletiva de imprensa.

Ele ainda menciona que já houve manifestações de líderes europeus indicando que o processo de validação do acordo Mercosul-União Europeia será acelerado. Segundo Viana, as novas tarifas implementadas pelos Estados Unidos poderão abrir novas possibilidades comerciais para o Brasil.

“Mas acho que, antes das possibilidades, vão vir as dificuldades. E é um risco grande. É algo que pode construir uma nova era. Tem alguns analistas que já falam que pode ser que os Estados Unidos podem estar abrindo agora a era da China,” completou.

As tarifas aplicadas pelo presidente Trump variaram, sendo de 10% para países da América Latina, 20% para a Europa e 30% para a Ásia, mostrando que os países orientais são vistos como uma maior ameaça pelo governo americano.

Apesar do Brasil receber uma taxa de 10%, Viana expressa que não vê vantagem para o país e acredita que o tarifaço será prejudicial para o comércio global.

“Eu não consigo enxergar vantagem nenhuma quando o mundo pode piorar a sua relação comercial. Foram os Estados Unidos que introduziram no mundo, há décadas, a ideia do livre mercado, dos conglomerados, dos acordos comerciais, foram eles que fizeram, dizendo que isso era melhor para o mundo,” afirmou.

Ele ressalta ainda que, embora o Brasil possa receber mais investimentos, essa nova conjuntura será “ruim para todos”.

“Acho que, na incerteza, o Brasil pode ter mais investimento do que tem, mas eu não estou querendo trabalhar a tese do tirar proveito ou tirar benefício, porque um mundo inseguro, um mundo em conflito, é ruim para todo mundo, inclusive o Brasil. A tese minha é essa, vai ser ruim para todos, independente de você ganhar mais aqui ou perder ali.”

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