A recente solicitação de recuperação judicial da Casas Bahia, que soma R$ 17,3 bilhões em dívidas, destaca um retrato preocupante do varejo nacional. Enquanto grandes redes conseguem buscar proteção legal, pequenos negócios enfrentam o fechamento sem alternativas no sistema judiciário.
Dados mostram que, de junho de 2025 a junho de 2026, o número de empresas do varejo solicitando recuperação judicial cresceu 20,4%, aumentando de 819 para 986. Essa situação é refletida em altas taxas de falências, com o setor apresentando 686 falências para cada 986 recuperações.
A recuperação judicial no varejo é predominantemente uma opção para negócios de grande porte, que possuem ativos a proteger. Cláudio Damasceno, coordenador do Monitor RGF-BIZDOC, afirma que “a recuperação judicial é uma ferramenta destinada àqueles que têm escala”. Ele enfatiza que pequenos varejistas frequentemente encerram operações e reiniciam seus negócios sob novos registros, em vez de buscar a recuperação judicial.
Setores Mais Afetados
Os setores em que as falências mais superam as recuperações incluem:
- Material de construção: 100 falências contra 70 recuperações
- Óptica: 42 falências contra 10 recuperações
- Móveis e iluminação: 38 falências contra 23 recuperações
- Calçados: 25 falências e 11 recuperações
A Recuperação no Varejo
Ainda que postos de combustível tenham um número significativo de recuperações, representando 18,5% do total do varejo, a maioria dos casos vem de empresas de médio porte (50,6%). Nesse contexto, a recuperação judicial acaba se tornando uma opção inviável para muitos negócios menores.
























